Justiça para Orelha: entenda o caso do cachorro de 10 anos assassinado a pauladas

Polícia investiga grupo de adolescentes pela morte do animal e ameaças a testemunhas.

O cachorro Orelha, com cerca de 10 anos, era um símbolo da Praia Brava, no Norte de Florianópolis. Conhecido como dócil e brincalhão, ele vivia em um bairro que mantém três casas para cães comunitários.

Ele não tinha um dono, os moradores da região se revezavam nos cuidados, custeando a saúde e a alimentação do animal.

A veterinária que o acompanhava, conta que o cachorro estava acostumado a receber carinhos de todos que passavam:

Cada vez que alguém falava com ele em tom mais fino ou fazia menção de fazer carinho, ele abaixava as orelhas, abanava o rabo e ia se deitando até ganhar carinho na barriga. Ele era muito amado. Até os turistas já o conheciam. Um cachorrinho de 10 anos… que mal faria a alguém?”, disse ao Portal G1.

No entanto, o animal foi brutalmente assassinado a pauladas sem motivo por ao menos quatro adolescentes.

Orelha foi encontrado agonizando no dia 15 de janeiro. O cachorro foi levado a uma clínica veterinária, mas precisou ser submetido à eutanásia por conta da gravidade das agressões.

Como está a investigação sobre a morte do cachorro?

A Polícia Civil está investigando o crime e já cumpriu três mandados de busca e apreensão ligados ao caso.

O delegado Ulisses Gabriel contou que um dos mandados envolvia suspeitas de ameaças contra uma testemunha. Os agentes esperavam encontrar uma arma de fogo, mas não identificaram o objeto.

Os adolescentes também podem estar envolvidos em um caso de maus tratos contra um vira-latas caramelo no mesmo dia. Eles tentaram afogar o animal, que foi adotado por Ulisses Gabriel.

Caso confirmada a autoria por adolescentes, o relatório será encaminhado à delegacia especializada, já que menores são inimputáveis e respondem com até três anos de medidas socioeducativas.

Justiça para Orelha: mobilização cresce nas redes sociais

A morte de Orelha gerou comoção. Moradores e ONGs organizaram manifestações com cartazes e orações na Praia Brava.

O caso repercutiu nas redes sociais do país inteiro. Artistas e celebridades se posicionaram pedindo justiça e denunciando maus-tratos.

A cantora sertaneja Ana Castela  divulgou um vídeo no qual lembrou que a violência contra os animais é crime e pedindo para que mais pessoas compartilhem o caso.

Morte de cachorro inspira projeto de lei

A comoção motivou a criação do projeto de lei apelidado de “Lei Orelha”, de autoria do deputado estadual Mário Motta (PSD), na Alesc.

proposta pretende endurecer as leis contra maus-tratos de animais em todo o estado de Santa Catarina.

Uma das mudanças previstas é que os pais de menores poderão ser responsabilizados pelos maus-tratos.

Eles terão de pagar uma multa, que poderá ser dobrada a depender da gravidade dos ferimentos sofridos pelos animais.

O projeto segue para análise nas comissões e votação em plenário. Enquanto isso, a investigação policial continua. (Com Brasil Paralelo)

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