Mesmo Internada, jovem comemora formatura do Ensino Médio no Hospital Oncológico Infantil no Pará

A jovem teve uma crise de enxaqueca em agosto, mas levava uma vida tranquila. As crises recorrentes começaram em novembro.

Em tratamento contra um tumor cerebral no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), Lara Ciriaco, de 18 anos, celebrou, nesta sexta-feira (12), a formatura do Ensino Médio, no leito onde está internada. O ato simbólico ocorreu após o pedido da adolescente que estava aflita por não conseguir comparecer à cerimônia realizada nesta quinta-feira (11), pela escola onde ela estudava, no município de Novo Repartimento, na região Sudeste do Pará.

A jovem teve uma crise de enxaqueca em agosto, mas levava uma vida tranquila. As crises recorrentes começaram em novembro. No início deste mês, foi diagnosticada com um meningioma – tumor benigno que se forma nos tecidos do sistema nervoso central, chamados de meninges. Lara não imaginava estar longe da escola e dos colegas na data tão aguardada.

“Foi interrompido um fechamento de um ciclo importante da vida com chave de ouro. Recebi o diagnóstico como um ‘choque’ e senti um ‘baque’ por não estar presente na cerimônia com meus colegas, vivendo o grande dia. Eu estava ansiosíssima, participei de toda a organização do evento, trocamos a festa por uma viagem dos estudantes com alguns professores. Fui atrás da casa em Salinas, do ônibus”, contou Lara.

Mesmo diferente do esperado, a jovem não queria deixar esse momento passar em branco, então informou à equipe do hospital o quanto era importante celebrar a conquista, o que motivou uma mobilização. Capelo, canudo, certificado, bolo e presente foram providenciados pela equipe de Humanização para que o ato simbólico fosse realizado no leito 106 – B, onde a paciente recebe cuidados da equipe multidisciplinar.

“Embora os pacientes estejam hospitalizados, o nosso desejo é que se recuperem e retornem à sociedade sem impactos negativos, por isso promovemos a socialização e fortalecemos a interação entre familiares e profissionais. Nosso compromisso é assegurar os direitos deles enquanto cidadãos e oferecer, mesmo dentro do contexto do tratamento médico, e do ambiente hospitalar, a melhor qualidade de vida possível”, destacou a coordenadora de Humanização, Natacha Cardoso.

A surpresa reuniu mãe, profissionais de saúde e integrantes da Humanização. Entre sorrisos e rostos emocionados, a jovem celebrou não apenas o fim de um ciclo escolar, mas também a força e a perseverança que marcam sua trajetória. Apesar de simples, o gesto reforçou a importância de manter viva a esperança e de celebrar conquistas, mesmo em meio aos desafios do tratamento.

“Eu me senti realizada e acolhida, percebi a atenção e que as pessoas se importavam com a minha angústia. Independente do que estou passando, mantenho o pensamento positivo e acredito que tudo vai dar certo”, disse.

Maria Ciriaco, 42 anos, mãe de Lara, ficou surpresa com a maneira que a situação foi conduzida no hospital. “Fiquei muito feliz, emocionada. O coração ficou aquecido com o carinho dos profissionais do hospital, porque ela queria muito estar com os amigos. Não foi como a gente planejou, mas foi singular e cheio de calor humano”, afirmou.(Erika Marinho-Estagiária,com Agência Pará)

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