Projeto da Unifesspa ensina letramento digital a mulheres idosas e é finalista de prêmio nacional

Recentemente, o projeto ganhou destaque nacional ao se tornar finalista do Prêmio LED – Luz na Educação, promovido pela Rede Globo

Um projeto de extensão da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) vem promovendo letramento digital e inclusão tecnológica para mulheres idosas na região amazônica. A iniciativa, chamada ‘TecerMulher’, está em seu segundo ano e é coordenada pela professora Léia Sousa, do curso de Sistemas de Informação. Recentemente, o projeto ganhou destaque nacional ao se tornar finalista do Prêmio LED – Luz na Educação, promovido pela Rede Globo.

O programa tem foco em mulheres amazônidas, muitas sem formação escolar, e atua de forma itinerante, oferecendo oficinas em ONGs, associações de bairro e CRAS. Segundo Léia, o projeto combina conhecimento digital com cidadania, ensinando as participantes a utilizar aplicativos de celular de forma segura.

Letramento digital como prevenção

A motivação para o ‘TecerMulher’ surgiu diante de números preocupantes: em Marabá, 86% das participantes relataram já ter sido alvo de golpes digitais, enquanto em Nova Ipixuna o índice chegou a 90%. “A inclusão digital envolve o uso prático de aplicativos, como bancos e delivery. O letramento digital é a compreensão crítica da tecnologia, para não se deixar enganar por informações falsas”, explica Léia.

A professora alerta que a falta de letramento pode levar a vítimas a fornecer dados a criminosos, como nomes de familiares, sem perceber. O projeto também atua no aspecto emocional, ajudando as participantes a superar o sentimento de “não pertencimento” em espaços educacionais e digitais.

Metodologia adaptada

As oficinas começam com um diagnóstico, aplicado em linguagem regional, que avalia a proficiência digital das participantes. A partir do resultado, o curso é adaptado para trabalhar temas como segurança, uso de WhatsApp e aplicativos bancários. O material didático é visual e a linguagem simples, garantindo acessibilidade a participantes não alfabetizadas.

A interação entre gerações é outro diferencial: alunos de graduação atuam como voluntários, promovendo a troca de saberes entre jovens e idosos. Em Marabá, o projeto já passou por instituições como Instituto Esperança e Vida, Clube de Mães, Instituto Vida Bela e CRAS do bairro Amapá.

Impacto em Nova Ipixuna

As oficinas em Nova Ipixuna foram motivadas por um alto índice de golpes digitais. Eliúde Mendes, coordenadora do CRAS local, considera o projeto um “divisor de águas”. “Os idosos aprendem a mandar localização, fazer chamadas de vídeo e se comunicar com segurança. A transformação é visível no brilho dos olhos deles”, afirma.

A demanda aumentou rapidamente após a primeira turma, realizada em novembro, e a procura superou a capacidade da equipe, mostrando a importância da continuidade do projeto.

Financiamento e reconhecimento nacional

Apesar dos resultados positivos, o ‘TecerMulher’ enfrenta dificuldades financeiras. Em 2025, a equipe de voluntários caiu de 12 para 7 integrantes devido à falta de recursos para transporte e materiais, motivando a inscrição no Prêmio LED.

Após passar por curadoria, entrevistas e auditoria externa, o projeto foi selecionado como finalista. No dia 10, a equipe apresentará um pitch de três minutos para um júri de especialistas e personalidades da mídia. A premiação total de 2026 será de R$ 1,2 milhão, distribuída entre seis iniciativas inovadoras em educação, nas categorias Estudantes, Educadores e Empreendedores ou Organizações.

Para Léia Sousa, o ‘TecerMulher’ se destaca por ser uma iniciativa criada localmente, pensada para a realidade da região. “O projeto combate a nova forma de exclusão estrutural, que é a exclusão digital, oferecendo às mulheres amazônidas segurança, conhecimento e cidadania”, afirma. (Portal Debate, com Luciana Araújo)

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