O complexo de pontes sobre o Rio Tocantins, em construção desde 2022, atingiu 67% de avanço físico até novembro de 2025. O dado foi apresentado pelo Consórcio Ponte Rio Tocantins durante reunião da Comissão Especial de Desenvolvimento Socioeconômico da Câmara Municipal de Marabá, na tarde desta quarta-feira (3). O projeto, financiado pela Vale e orçado em R$ 4,1 bilhões, prevê entrega até 2027.
Segundo o gerente de Planejamento, Uziel Junior, a obra segue em sua fase mais técnica, com cravação de estacas e execução dos 41 pilares que sustentarão as duas pontes paralelas, cada uma com 2,3 quilômetros. A intervenção inclui ainda 8 km de duplicação ferroviária e 3,1 km de alças rodoviárias, consideradas essenciais para reorganizar o fluxo entre a zona urbana e a Estrada de Ferro Carajás.
Investimentos já movimentaram mais de R$ 500 milhões na economia local
O empreendimento emprega cerca de 3.300 trabalhadores, dos quais 2.500 são moradores da região. Conforme dados apresentados pela Vale, 540 fornecedores locais atendem às demandas da obra. Até outubro, foram injetados R$ 227 milhões na economia por meio de pagamentos a empresas e R$ 247 milhões em massa salarial, além de R$ 62 milhões em ISS repassados ao município.
A ponte rodoviária planejada deverá separar o fluxo de veículos do tráfego ferroviário, reduzindo congestionamentos sobre a ponte rodoferroviária atual e ampliando a capacidade de transporte de cargas da EFC, ligação estratégica entre o sudeste do Pará e o Porto do Itaqui, no Maranhão.
Parlamentares pedem transparência e detalhamento dos acessos
A reunião na Câmara, conduzida pela vereadora Vanda Américo (União), reuniu representantes da Vale, membros do Executivo e entidades empresariais. O encontro foi marcado por cobranças sobre transparência, comunicação com a sociedade e, sobretudo, o planejamento dos acessos à nova ponte.
Vanda afirmou que a população tem buscado informações claras e atualizadas sobre prazos e impactos da obra. Segundo ela, o Parlamento precisa de dados consolidados para responder às demandas do público. A vereadora destacou que há um distanciamento entre o avanço técnico da obra e o conhecimento repassado aos moradores.
O vereador Marcos Andrade (PSD) reforçou que a preocupação mais frequente recai sobre as vias de ligação com a área urbana. Para ele, a obra não pode se tornar um novo ponto crítico de tráfego por falta de planejamento das cabeceiras. Pediu que a Vale apresente simulações e planos completos de fluxo viário.
Risco de congestionamentos e impactos nas comunidades são levantados
O vereador Jocenilson Silva (PRD), agente de trânsito, alertou para o risco de congestionamentos após a inauguração se não houver revitalização das avenidas do entorno. Ele defendeu intervenções como alargamento de faixas, criação de rotatórias e novas alternativas de acesso.
Ubirajara Sompré (MDB) chamou atenção para as comunidades que vivem ao redor do canteiro de obras. Segundo ele, essas famílias sofrem diretamente os impactos e precisam ser contempladas por políticas de contrapartida, incluindo infraestrutura básica e capacitação profissional.
Destino da mão de obra após a entrega preocupa vereadores
Outro ponto discutido foi o futuro dos mais de 3 mil trabalhadores empregados na construção. O vereador Marcelo Alves (PT) afirmou que a transição pós-obra deve ser planejada desde agora, para evitar desemprego em massa ao final do projeto. Ele sugeriu programas de requalificação e absorção dessa mão de obra em novas atividades.
Vale promete envio de informações e Câmara seguirá monitorando
A Vale se comprometeu a encaminhar documentos adicionais sobre cronograma, acessos e programas sociais, além de manter diálogo permanente com os vereadores.
A Comissão Especial informou que continuará acompanhando a obra, cobrando planejamento, informações e contrapartidas que garantam que o complexo de pontes deixe benefícios permanentes para a população de Marabá, além do impacto logístico nacional.


