Os bombeiros de Hong Kong continuam, nesta quinta-feira (27), as buscas por centenas de desaparecidos em um complexo de apartamentos que segue em chamas, um dia após o incêndio que devastou o conjunto habitacional e deixou ao menos 55 mortos.
O fogo começou na tarde da última quarta-feira, em um complexo de oito prédios, que abriga cerca de 2 mil apartamentos e mais de 4,6 mil moradores. O episódio provocou comoção na cidade, conhecida por ter alguns dos edifícios residenciais mais altos e densamente povoados do mundo.
Nesta quinta-feira, uma espessa fumaça ainda saía do conjunto Wang Fuk Court, localizado no distrito de Tai Po, próximo à fronteira com a China continental. De acordo com as autoridades, o incêndio já havia sido controlado em quatro das oito torres. As outras três ainda apresentavam focos ativos, mas sob contenção. A operação deve se estender até a noite.
População se mobiliza
Moradores da região se reuniram em áreas próximas para organizar doações e prestar apoio aos desabrigados e às equipes de resgate. A mobilização voluntária atraiu pessoas de diferentes bairros da cidade.
“É comovente. O espírito de Hong Kong é esse: quando alguém está em apuros, todos se unem”, disse Stone Ngai, um dos voluntários.
Prisões e suspeitas
A polícia informou que três homens foram presos sob suspeita de homicídio culposo. Segundo as investigações, materiais inflamáveis deixados durante obras de manutenção facilitaram a propagação das chamas.
A polícia também apreendeu documentos no escritório da empresa Prestige Construction & Engineering Company, apontada como envolvida nas obras. Relatórios preliminares indicam ainda a presença de isopor nas janelas de cada andar de uma das torres, substância altamente inflamável.
O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, determinou inspeções imediatas em todos os conjuntos habitacionais que passam por grandes intervenções.
Como o incêndio se espalhou
O fogo teve início no andaime externo de uma torre de 32 andares e se espalhou rapidamente pelos tradicionais andaimes de bambu e pelas telas de proteção. As condições de vento contribuíram para a propagação entre os prédios.
Especialistas dizem que o caso é “chocante”, já que normas de construção geralmente impedem que incêndios se espalhem para edificações vizinhas. A presença de materiais inadequados pode ter sido determinante.
Relatos de moradores
Sobreviventes afirmam que não ouviram alarmes de incêndio e que vizinhos precisaram bater de porta em porta para alertar os demais residentes.
“O fogo se alastrou muito rápido”, relatou o morador Suen. “Tocando campainhas, batendo nas portas, avisando para saírem… Era desesperador.”
Outro morador, Lawrence Lee, disse aguardar notícias da esposa, que ficou presa no apartamento. “Ela tentou sair, mas o corredor estava tomado pela fumaça. Não teve escolha a não ser voltar”, contou.


