A cantora Preta Gil, que morreu em julho após complicações de um câncer no intestino, teve um último desejo realizado: transformar parte de suas cinzas em diamantes. A vontade havia sido revelada por ela aos amigos depois que soube da possibilidade de produzir pedras preciosas em laboratório. Ao descobrir que suas cinzas poderiam dar origem a um diamante, Preta considerou a ideia “magnífica”, segundo mostrou uma reportagem do Fantástico.
A cantora tinha interesse no processo desde que soube que as pedras podem ser geradas a partir do carbono encontrado nas cinzas. Parte desse material foi enviado a um laboratório de São Paulo, encarregado de produzir diamantes destinados a seus amigos. O processo utiliza o carbono presente nas cinzas, que é então trabalhado com nanotecnologia para se transformar em diamante.
Um diamante é composto apenas por carbono. No laboratório, o elemento extraído das cinzas é primeiro transformado em grafite. Em seguida, o material é enviado à Índia, onde o processo de produção é finalizado. A partir das cinzas recebidas, foram criados 12 diamantes que serão entregues aos amigos da cantora.
Outra parte das cinzas de Preta Gil foi encaminhada a um laboratório em Curitiba, responsável pela produção de um diamante destinado à família Gil. Nesse caso, todo o processo foi realizado no Brasil, do início ao fim. A transformação em laboratório simula o que ocorre na natureza, porém em uma velocidade de tempo infinitamente maior. O resultado é um diamante “genuíno”, com as mesmas propriedades químicas e físicas de uma pedra natural.
Para isolar o carbono da amostra, diversos processos de queima são realizados com o objetivo de eliminar compostos como enxofre, potássio e outros materiais orgânicos, restando apenas o carbono puro. O químico Dennys Alves explicou que esse carbono, inicialmente em pó, é submetido a alta pressão e temperatura para se transformar em grafite. O grafite, então, é condensado em uma pastilha que facilita o trabalho.
Essa pastilha é colocada dentro de uma cápsula equipada para aplicar pressão e corrente elétrica. A temperatura pode chegar a 2000 ou até 3000 graus. Depois desse aquecimento extremo, o material segue para uma prensa que simula as condições da crosta terrestre. Nessa etapa, a pastilha é submetida a uma pressão comparada a “todo o peso do Monte Everest na cabeça de uma agulha”.
Sob essas condições, os átomos de carbono se reorganizam. O que levaria milhões de anos na natureza acontece em cerca de 60 horas no laboratório, resultando no diamante bruto. Depois, a pedra é lapidada e polida até alcançar brilho e forma finais. Os custos para fabricar um diamante de laboratório variam conforme o tamanho, começando em R$ 3.800 nesta empresa.
O diamante de 0,3 quilate produzido para a família Gil já está pronto para ser entregue. Os diamantes destinados aos amigos de Preta também estão sendo enviados. Anos antes, Duh Marinho, Gominho, duas amigas e Preta haviam tatuado um diamante no dedo, um símbolo de amizade que, agora, ganha novo significado.
Cada diamante recebe um número de certificação gravado a laser, visível com uma lupa de 40 vezes, que inclui o nome da pessoa homenageada. Quando um feixe de luz atravessa a pedra, ele se multiplica, simbolizando que a luz da pessoa “continua se multiplicando infinitamente”. “É igual diamante. Não quebra. A Preta é isso… Ninguém destrói, ninguém quebra. E ela era essa pessoa”, concluiu Gominho.
A reportagem também trouxe o caso de Mário e Sônia, um casal que se conheceu aos 15 anos e teve as cinzas misturadas pelas filhas para a criação de uma única pedra. Mário morreu em 2021, vítima da Covid, e Sônia em dezembro de 2023, devido a complicações de um tratamento contra o câncer. A joia simboliza a relação “inquebrável” dos dois. A filha do casal, a psicóloga Taisa Berlingieri, relatou a emoção de ver a transformação das cinzas e memórias em algo “tão valioso e bonito assim”. Outra parte das cinzas se tornou flor, espalhada na árvore mais bonita do quintal, onde vento e sol trazem paz. (Com Ver o Fato)


