DA REDAÇÃO — Indígenas das etnias Suruí e Aevara mantêm bloqueado, desde segunda-feira (17/11), um trecho da BR-153 que atravessa o território indígena Sororó, em São Geraldo do Araguaia, região sudeste do Pará. O protesto, que segue nesta terça-feira (18/11) sem previsão de liberação, ocorre às vésperas da inauguração da nova ponte sobre o rio Araguaia, estrutura que deve ampliar o fluxo de veículos entre o Pará e o Tocantins.
A manifestação reúne lideranças das oito aldeias da Terra Indígena Sororó, onde vivem cerca de mil indígenas. O grupo reclama da ausência de diálogo sobre obras que impactam diretamente a região, destacando que a rodovia foi aberta ainda na década de 1980, pelo Exército, e pavimentada em 1998 sem consulta às comunidades e sem qualquer indenização ao povo Suruí Aikewara.
Durante o bloqueio, apenas ambulâncias e pessoas com necessidade de atendimento médico têm passagem autorizada. Uma viatura da Polícia Militar foi impedida de seguir viagem, enquanto equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) acompanham a mobilização no local.
Em nota pública, as lideranças afirmam que o aumento do tráfego previsto com a liberação da nova ponte pode triplicar a movimentação de veículos dentro do território, ampliando riscos e impactos ambientais. Elas pedem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do Ministério dos Transportes, do DNIT, da Funai, do Ministério dos Povos Indígenas e do Ministério Público Federal para discutir a situação.
Os indígenas também reforçam que a antiga estrada OP2 — que deu origem à BR-153 — foi construída durante o período da Guerrilha do Araguaia sem consentimento do povo Suruí Aikewara.
A inauguração da ponte está prevista para ocorrer em Chambioá, na divisa entre Pará e Tocantins, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). (Portal Debate)



