Antes da hora: motoristas atravessam ponte do Araguaia ainda sem liberação oficial

Engenheiros consultados, reforçaram que essa é uma etapa obrigatória e legal antes que a ponte possa receber veículos de carga e fluxo regular.

ARAGUAIA (PA) – Durante o último fim de semana, diversos motoristas foram flagrados cruzando a nova ponte sobre o Rio Araguaia, que liga São Geraldo do Araguaia (PA) a Xambioá (TO). Apesar da aparência de estar concluída, a estrutura ainda não foi oficialmente liberada para o tráfego, pois passa por uma série de testes de segurança e ajustes de sinalização exigidos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Engenheiros consultados, reforçaram que essa é uma etapa obrigatória e legal antes que a ponte possa receber veículos de carga e fluxo regular. Eles também demonstraram preocupação com o fato de populares terem forçado a passagem, arriscando a própria segurança.

Vídeos divulgados mostram pessoas removendo os cavaletes metálicos que bloqueavam o acesso e diversos veículos — incluindo caminhões, ônibus, carros e motocicletas — trafegando sobre a estrutura. Somente no fim da tarde de domingo, uma equipe da Polícia Rodoviária Federal chegou ao local, juntamente com funcionários da construtora, para reforçar o bloqueio. A ponte faz parte da BR-153.

A inauguração de uma nova ponte federal representa um marco importante para a logística regional, mas, antes de sua abertura, é necessário cumprir um rigoroso processo de inspeção e certificação. O DNIT, vinculado ao Ministério dos Transportes, é responsável por cada etapa que assegura a estabilidade e a conformidade da obra com as normas técnicas brasileiras.

Entre os procedimentos obrigatórios está a Inspeção Cadastral, uma espécie de “certidão de nascimento” da ponte, na qual engenheiros verificam se dimensões, materiais e métodos construtivos correspondem fielmente ao projeto. Tudo é registrado em relatórios e fotos técnicas, que servirão de base para futuras manutenções.

Outra etapa essencial é a Prova de Carga, regulamentada pela ABNT NBR 9607, que avalia a resistência e o comportamento estrutural. Há dois tipos principais:

Prova Estática – Caminhões com peso controlado são posicionados em pontos específicos, e sensores medem as deformações da ponte.

Prova Dinâmica – Veículos pesados cruzam a estrutura em velocidades variadas para verificar estabilidade e vibração.

Somente após a conclusão dessas análises e da vistoria final, realizada conforme a norma DNIT 010/2004-PRO, é emitido o Termo de Recebimento Provisório, documento que autoriza o uso da ponte. A partir daí, inicia-se um período de garantia de cinco anos, em que a construtora é responsável por corrigir eventuais falhas.

Com a liberação definitiva, a estrutura passa a integrar o sistema de monitoramento do DNIT, recebendo inspeções periódicas anuais ou bienais para assegurar sua durabilidade e segurança.

Além, disso fizeram a procuração do DNIT e do Ministério dos Transportes para comentar a falha de segurança que permitiu a travessia de centenas de veículos entre os dias 8 e 9 de novembro, mas não obteve resposta. Durante o domingo (9), um motociclista se envolveu em acidente na rampa do lado paraense e precisou ser levado ao hospital.

Na última quarta-feira (6), o ministro dos Transportes visitou o canteiro de obras e anunciou que a inauguração oficial deve ocorrer até o fim de novembro, sem data confirmada. Até lá, a travessia entre o Pará e o Tocantins continua sendo feita por balsas.

Ainda restam intervenções estruturais, como a instalação das defensas laterais nas cabeceiras, fundamentais para a segurança, principalmente do lado de Xambioá, onde há uma curva acentuada logo após a saída da ponte. Além disso, a forte chuva registrada no domingo revelou falhas na compactação do aterro da cabeceira, também no lado tocantinense. (Erika Marinho-Estagiária)

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