Alunos da Unifesspa transformam arte em denúncia contra o assédio dentro da universidade

Com obras em pintura, escultura, arte digital e vídeo-performance, os estudantes abordam diferentes dimensões do assédio — sexual, moral, racial e institucional — evidenciando como ele atinge, de modo particular, mulheres e pessoas negras

Às vésperas do mês de combate à violência contra a mulher, estudantes da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) utilizam a arte como instrumento de denúncia e conscientização sobre o assédio no ambiente acadêmico. A exposição Corpos em Resistência, produzida por alunos do curso de Artes Visuais em parceria com o Centro Acadêmico e o Coletivo Aura, busca romper o silêncio e expor a realidade de vítimas que enfrentam essa forma de violência dentro da instituição.

Com obras em pintura, escultura, arte digital e vídeo-performance, os estudantes abordam diferentes dimensões do assédio — sexual, moral, racial e institucional — evidenciando como ele atinge, de modo particular, mulheres e pessoas negras. Segundo o aluno Bruno Eduardo Correia de Souza, um dos organizadores, o projeto surgiu da necessidade de tratar um tema frequentemente abafado nas universidades. “A exposição quis estampar o que é silenciado”, afirmou.

As criações refletem também a resistência dos corpos diante da opressão. Em Esculpida a Machado, de Bruno e Victor Gabriel, o racismo é retratado como uma força que tenta moldar o jovem negro aos padrões impostos pela sociedade. Já a obra A Morte do Pedral, de Caio da Silva e colegas, simboliza a dor e o impacto social e ambiental sobre corpos e territórios, representados por uma sereia que padece sobre o Pedral do Lourenção.

Além da dimensão estética, a mostra assume caráter político. Em um cenário nacional em que quase metade das mulheres já sofreu algum tipo de assédio, conforme dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os estudantes reafirmam a arte como espaço de resistência e transformação social. Ao expor suas obras, eles reivindicam o direito de falar, criar e existir dentro da universidade — rompendo, pela arte, o silêncio imposto às vítimas.

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