Câmara de Parauapebas apresenta relatório da primeira fase da CPI da Mineração e amplia prazo das investigações

Trabalhos foram prorrogados por mais 180 dias; comissão estima que a Vale possa dever quase R$ 489 milhões ao município

PARAUAPEBAS (PA) – A Câmara Municipal de Parauapebas realizou, na tarde desta quarta-feira (22), uma coletiva de imprensa para apresentar o relatório da primeira fase dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito da Mineração (CPI da Mineração) e detalhar os próximos passos da investigação.

Participaram do encontro os vereadores Alex Ohana (presidente da CPI), Michel Carteiro (relator), Érica Ribeiro, Sadisvan Pereira, Tito do MST e Leandro do Chiquito, que acompanha os trabalhos da comissão.

Prorrogação dos trabalhos

Na sessão ordinária de terça-feira (21), o plenário da Câmara aprovou a prorrogação dos trabalhos por mais 180 dias, diante da complexidade das informações apuradas e das negociações em andamento com a mineradora Vale S.A., principal empresa do setor em atividade no município.

Durante a coletiva, Alex Ohana reforçou que, embora os trabalhos tenham iniciado pela Vale, o objetivo é ampliar as investigações. “A CPI não é da Vale. Ela é da mineração. Começamos pela maior mineradora do município, mas nosso intuito é alcançar as demais, como a Ligga e outras. Estamos analisando o cálculo da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral), que envolve parâmetros como preços externos e pelotização”, destacou o presidente.

Estimativa de valores e negociações

De acordo com os levantamentos apresentados, a estimativa é de que a Vale deva cerca de R$ 489 milhões ao município, referentes ao período de 2013 a março de 2017. As tratativas em curso, no entanto, podem resultar em um acordo de aproximadamente R$ 200 milhões em reembolso aos cofres públicos.

Segundo Ohana, o valor ainda está sendo discutido pelas equipes técnicas da mineradora e da Prefeitura, com o acompanhamento da Procuradoria Fiscal do município, que emite pareceres e análises especializadas.

O relator da CPI, vereador Michel Carteiro, informou que no próximo dia 6 de novembro haverá uma reunião em Brasília com o vice-diretor jurídico da Vale, para avançar nas negociações.

“Estamos em busca de um acordo que beneficie o município. Assim que concluirmos a parte fiscal, vamos avançar para as questões sociais e ambientais”, afirmou Alex Ohana.

Eixos de investigação

A CPI da Mineração atua em três frentes principais:

  • Cálculo da CFEM e arrecadação de recursos;
  • Impactos socioambientais decorrentes da mineração;
  • Impactos sociais e econômicos sobre as comunidades locais.

Entre os temas que serão aprofundados nas próximas etapas estão as rachaduras em imóveis e vias causadas por explosões, a poeira gerada pela atividade mineradora e a logística de transporte do minério, questões relatadas por moradores de diferentes regiões da cidade.

Relatório da 1ª fase

Durante a coletiva, a comissão também anunciou a entrega do Relatório da Primeira Fase, documento que reúne atas de reuniões, levantamentos, documentos oficiais, processos judiciais movidos pelo município contra a Vale e protocolos junto à Agência Nacional de Mineração (ANM).

O relatório será encaminhado à Mesa Diretora da Câmara e às Comissões Permanentes, servindo como base para as negociações do Poder Executivo com a mineradora.

“Nosso compromisso é com a verdade e com o interesse público. Queremos resultados claros e medidas que tragam retorno direto à população, seja em forma de recursos ou de obras estruturantes”, concluiu Alex Ohana.

CPI da Mineração – Informações gerais

Instaurada por: Requerimento nº 090/2025 e Ato da Presidência nº 014/2025 (13 de maio de 2025)

Presidente: Vereador Alex Ohana

Relator: Vereador Michel Carteiro

Membros: Sadisvan Pereira, Érica Ribeiro e Tito do MST

Prazo prorrogado: 21 de outubro de 2025, por mais 180 dias

(Com informações do Portal Pebinha de Açúcar)

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