A Vila Canaã, conhecida popularmente como “Vila do Rato”, é uma área periférica do bairro Velha Marabá, dominada pelo tráfico de drogas. Com frequência, manchetes estampam grandes operações policiais, na comunidade, em busca de pessoas envolvidas com a venda de entorpecentes. Após uma longa conversa com alguns moradores, na segunda-feira (11), percebemos que o problema reside justamente na forma como essa fiscalização é realizada e na desconfiança de parte da sociedade.
“Quando a polícia chega na ‘Vila do Rato’, os moradores são tratados como traficantes. Os policiais colocam arma na cabeça da gente e humilham os moradores. Mulheres, idosos e crianças são tratados da mesma forma”, alega um casal que pediu para não ter os nomes divulgados. “A gente se sente muito mal morando aqui. Somos discriminados”, relatou um morador bastante idoso.

“Nossa esperança é que o tráfico de droga acabe na ‘Vila do Rato’ como terminou no ‘Canela Fina’. Se a polícia quiser, esse nosso sofrimento um dia vai ter fim”, observou esperançoso outro habitante do lugar. As pessoas alegam que a discriminação também ocorre por parte da sociedade. “Quando a gente fala que mora na ‘Vila do Rato’ a pessoa já fica com medo, achando que somos bandidos. Até na escola essa segregação acontece conosco”, reclamou uma aluna do ensino fundamental.

A comunidade é uma das mais antigas de Marabá. No auge do ciclo da castanha do pará, a hoje ‘Vila do Rato’ viveu tempos de glória. Aos pés da lendária árvore “samaúma”, nos anos 70 e 80 do século passado, a localidade via passar por ali, centenas de pessoas saindo ou chegando do bairro Marabá Pioneira pelo saudoso Porto das Canoinhas. Para os mais antigos, depois da construção da Ponte sobre o Rio Itacaiunas, só sobrou o esquecimento, a miséria e o tráfico de drogas. Na época, a ‘Vila do Rato’ era uma área comercial bastante movimentada em Marabá.

A Redação do portal Debate Carajás conversou, informalmente, com setores da Polícia Civil, Polícia Militar e com pessoas da ‘Vila do Rato’, tentando entender a relação entre órgãos de segurança e a comunidade. Grosso modo, a polícia afirma que os “moradores de bem” são subjugados pelos traficantes, já os moradores afirmam que esse pensamento está equivocado, não existe essa imposição por parte do tráfico na comunidade.

As pessoas dizem que existe medo sim de se denunciar os traficantes porque já houve indicação de ponto de venda de drogas, o marginal descobriu o autor da denúncia e o morador só não foi executado porque o meliante ficou com pena dos filhos pequenos da família. “Como o bandido descobriu o número de celular que fez a denúncia? Disso temos medo sim. Por esse motivo, temos receio de denunciar porque a polícia não fica 24 horas na ‘Vila do Rato’, argumentou outra moradora.
Na Vila Canaã não existe escola, posto de saúde nem água encanada. Sobre a famosa ‘Grota criminosa’, há apenas uma velha ponte de ferro, caindo aos pedaços, ligando os dois lados da comunidade. “Com a construção da Orla do Rio Itacaiunas, acho que vão melhorar as condições de se morar na ‘Vila do Rato’, nem poço artesiano existe aqui”, falou esperançoso um jovem estudante.

No entanto, para tristeza dele e do restante dos moradores, fizemos contato com o Secretário de Obras de Marabá, Fábio Cardoso, e ele afirmou que ainda não existe nenhum projeto de obras a serem executadas na ‘Vila do Rato’ pela Prefeitura de Marabá. Achamos que está na hora se “voltar os olhos” para a Vila Canaã, pois o tráfico só ocupa o espaço, onde não existe a presença do poder público.
Pedro souza


