Assentados denunciam ameaças e temem conflito agrário em Itupiranga

De acordo com os assentados, integrantes da CPDSAF estariam promovendo ocupações irregulares com promessas falsas de retomada de terras pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA)

Moradores dos Projetos de Assentamento P.A. Coco I, II, III e IV, na zona rural de Itupiranga (PA), denunciaram nesta segunda-feira (14) um clima de ameaças e insegurança causado por possíveis tentativas de invasão de lotes, envolvendo representantes da cooperativa CPDSAF, sediada em Marabá. O caso gera apreensão sobre um possível conflito agrário na região.

De acordo com os assentados, integrantes da CPDSAF estariam promovendo ocupações irregulares com promessas falsas de retomada de terras pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Os denunciantes relataram que famílias foram levadas ao local por Maria dos Milagres Alves de Araújo e seu companheiro Paulo Marciel Gonçalves dos Reis, proprietários do lote 73 – Sítio Água Azul, no P.A. Coco II.

No dia 1º de julho, após o acionamento da comunidade, a Polícia Militar do 1º Batalhão de Patrulha Rural e a Polícia Civil (DECA) estiveram no local, mas não intervieram diante da alegação de que os ocupantes estavam no terreno a convite dos proprietários. Após a saída das autoridades, moradores relataram a presença de homens armados circulando pela Vila do Coco em uma caminhonete Hilux branca, provocando medo entre as famílias.

Ainda segundo os relatos, algumas pessoas abandonaram o acampamento nos dias seguintes, alegando terem sido enganadas por promessas de regularização fundiária vinculadas ao INCRA. Cada uma teria pago R$ 2.000,00 para se associar à CPDSAF e garantir o suposto direito à terra.

A tensão se agravou no último dia 9, quando três homens armados teriam ameaçado uma moradora, exigindo que ela desocupasse seu lote. Representantes da comunidade buscaram esclarecimentos diretamente no acampamento e relataram que o presidente da CPDSAF, Antônio Magno Bezerra Fonseca, confirmou a intenção de ocupar os lotes. A declaração foi reforçada de forma considerada intimidatória por Paulo Marciel, acompanhado por seguranças armados.

A legalidade da atuação da CPDSAF também é questionada pelos assentados. Conforme consulta pública à Receita Federal, a cooperativa (CNPJ 39.597.857/0001-76) tem como objeto social o comércio varejista de hortifrutigranjeiros, sem previsão legal para atuação em processos de reforma agrária. A informação levanta suspeitas de possíveis crimes como estelionato, grilagem e fraude fundiária.

Embora não tenham ocupado formalmente os lotes vizinhos, os acampados teriam iniciado marcações com estacas, letras e símbolos em novas áreas, muitas vezes durante a madrugada. Na madrugada desta segunda-feira (14), uma propriedade foi invadida e diversos objetos foram furtados, incluindo um motor serra, roupas e uma roçadeira, segundo denúncia dos assentados.

As famílias, que vivem legalmente na região desde 1999, afirmam estar em constante estado de medo. As denúncias já foram encaminhadas ao INCRA, à Polícia Civil, à Polícia Militar e devem ser protocoladas junto ao prefeito de Itupiranga, Wagno Godoy, e à Câmara Municipal.

“Estamos sendo ameaçados dentro dos nossos próprios lotes. Não podemos permitir que interesses escusos coloquem nossas vidas em risco”, declarou um representante da comissão de assentados. A reportagem do Portal Debate não conseguiu contato com o presidente da cooperativa, mas o espaço seguirá aberto caso haja manifestação futura.

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