Veja como o tarifaço de Trump pode afetar a economia de Marabá

Marabá abriga um dos principais polos de produção de ferro gusa do país, além de estar estrategicamente ligada ao corredor logístico que leva o minério até portos como o de Vila do Conde, em Barcarena.

A decisão do presidente norte-americano Donald Trump de aplicar uma tarifa extra de 50% sobre a importação de produtos brasileiros, anunciada na quarta-feira (9/7) e com previsão de vigência a partir de 1º de agosto, deve causar impactos diretos na economia de Marabá, no sudeste do Pará. Segundo o economista Mário Tito Almeida, os efeitos são principalmente setoriais e atingem com mais força o setor mineral — especialmente o minério de ferro, carro-chefe da produção marabaense.

“Impactará mais especificamente os municípios de Marabá e de Barcarena porque são os grandes polos produtores. Na economia como um todo, eu não vejo grande impacto, até porque somente 10% de todo o comércio exterior do Brasil é feito com os EUA. A maior parte é com a China. Do ponto de vista mais local, vejo um impacto setorial, mais no campo do minério”, afirmou o economista.

Marabá abriga um dos principais polos de produção de ferro gusa do país, além de estar estrategicamente ligada ao corredor logístico que leva o minério até portos como o de Vila do Conde, em Barcarena. Com a aplicação da tarifa, o produto local vendido aos EUA ficará mais caro e perderá competitividade frente a fornecedores de outros países. Na prática, isso pode significar redução na produção, suspensão de contratos e demissões no setor industrial da cidade.

Ainda segundo Mário Tito, a pecuária paraense não sofre impactos relevantes nesse cenário, pois a exportação desse segmento se volta mais à Europa e ao Oriente Médio. No entanto, o setor mineral responde por cerca de 84% das exportações do estado, com destaque para o minério de ferro, responsável por mais de US$ 12,9 bilhões em 2023. Marabá está diretamente inserida nesse contexto como um dos grandes polos produtores.

“O país ainda tem três semanas pela frente para se organizar e muitos analistas acreditam que os Estados Unidos vão acabar retrocedendo nessas medidas. Por outro lado, se a taxação se confirmar, será uma oportunidade para o país e nosso estado venderem o minério para outros mercados, como a China. Acontece que não é tão simples deixar de vender aos Estados Unidos e passar a privilegiar a China. Há toda uma questão logística que leva tempo”, avaliou.

Apesar da gravidade da medida, o economista não vê a situação como desesperadora para o estado, tampouco para Marabá. Para ele, o Brasil pode buscar novos arranjos comerciais em médio prazo, direcionando a produção para blocos como a China, União Europeia e os demais países dos BRICS.

O agronegócio e a mineração são os setores mais sensíveis diante das novas taxações americanas, já que tradicionalmente os Estados Unidos têm sido um dos principais mercados desses segmentos. Caso a guerra comercial avance, o governo brasileiro tende a estreitar relações com países que já são grandes compradores, como a China, que atualmente é o principal destino do minério paraense. (Portal Debate, com informações de Diário do Pará)

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