MARABÁ (PA) – Na manhã desta quarta-feira (25/6/25), o patriarca Adão Ribeiro, de 85 anos, mas conhecido como “Seu Adão Carpinteiro”, faleceu vítima de falência múltipla de órgãos, por volta de 6h, no Hospital Geral de Belém (HGBel), pertencente ao Exército Brasileiro (EB), no Bairro Umarizal, em Belém, no Pará.
De acordo com os filhos de “Adão Carpinteiro”, o octogenário sofria de uma doença respiratória crônica, insuficiência renal crônica e diabetes. O paciente esteve internado no Hospital de Guarnição de Marabá (HGUMBA) por duas semanas. Seu quadro de saúde se agravou e ele foi transferido para o Hospital Regional do Sudeste do Pará (HRSP), porém, como não houve melhora em seu estado clínico, Adão Ribeiro foi entubado e transferido em uma “UTI Aérea” para o Hospital Geral de Belém, no dia 3 de junho de 2025.
Ao longo de 23 dias, “Adão Carpinteiro” lutou bravamente pela vida, todavia o peso da idade não o ajudou a vencer as comorbidades próprias da longevidade e o ancião foi a óbito para tristeza de amigos e familiares. Ele chegou a Marabá no ano de 1975, oriundo da cidade de Aragominas, mas conhecida como “Pé do Morro”, localizada no norte do antigo Estado de Goiás, hoje Estado do Tocantins, onde trabalhou como vaqueiro em diversas fazendas.

No final da década de 1970, a família mudou-se para uma terra localizada no km 84 da Rodovia Transamazônica (BR-230), na zona rural da cidade de Itupiranga, onde Adão passou a cultivar arroz e feijão. Com o tempo, ele retornou para Marabá e trabalhou como “forneiro” por vários anos na extinta Cerâmica Transpará, localizada no terreno onde hoje funciona o Supermercado Mix Mateus (Mix Atacarejo), no núcleo Cidade Nova. Tempos depois, “Seu Adão” passou a se dedicar ao ofício da carpintaria, tornando-se referência na arte de fazer telhado de casas em Marabá e cidades vizinhas.
O “guerreiro”, como ele era chamado pelos filhos, era casado com “Dona Socorro” e tiveram 14 filhos. A prole é composta por “Zé Ribeiro” , morador da cidade de Uruçuí (PI), Elias Ribeiro (Salvador/BA), Vitório Ribeiro (São Luís/MA), Lourisvaldo Ribeiro (Pio IX/PI), Antônia Ribeiro (Ribeirão Preto/SP) e Doracy Ribeiro, Ana Cleia Ribeiro, Pedro Souza, Teresinha Ribeiro, Joaquim Ribeiro e Maria Ribeiro, moradores de Marabá. O casal criou ainda dois filhos adotivos. “Seu Adão” e “Dona Socorro” ainda foram pais biológicos de Dorilene Ribeiro, Hélio Ribeiro e Antônio Ribeiro (In memoriam). Os dois foram casados por 64 anos.
A convivência da família de “Seu Adão Carpinteiro”, como diz o jargão popular, “é de fazer inveja a muita gente”, pois nunca houve uma briga entre os 14 filhos ao longo de décadas. No âmbito familiar, existe uma “hierarquia respeitosa”, onde os mais velhos servem como exemplo e referência para os mais novos. No tocante às despesas mensais com os pais, os filhos que ganham mais pagam mais do que aqueles que ganham menos, porém todos ajudam a arcar com as despesas dos genitores. No dia a dia, existe um grupo de mensagens por aplicativo, onde todos se cumprimentam, desejam um bom dia e compartilham seus problemas, conquistas, alegrias ou momentos de tristeza com os irmãos.
O casal possui ainda 29 netos e 31 bisnetos. O corpo será trasladado para Marabá, nesta quarta-feira (25), será velado na Rua 2, Casa 9, Conjunto Itacaiúnas, no Bairro Liberdade, e será sepultado no Cemitério Jardim da Saudade no Núcleo Cidade Nova. “Seu Adão” era uma figura carimbada nas rodas de conversa em Marabá. Ele adorava seu clube Vasco da Gama e era apreciador de uma bela disputa de partidas de dominó, onde não gostava muito de perder as contendas para os chamados “patos”.
Adão foi um dos moradores pioneiros do Bairro Laranjeiras, onde chegou no ano de 1977 com esposa e filhos. Segundo “Seu Adão”, durante os inúmeros “causos” que adorava contá-los, os filhos proporcionaram a ele um final de vida feliz e com todo o apoio que um idoso merece. Ele se dizia orgulhoso da família constituída, pois usufruía de um plano de saúde excelente, contava com uma estrutura financeira adequada para viver e desfrutava de muito amor, apoio e carinho dos filhos, netos e bisnetos no final de sua vida. (Pedro Souza)



