MARABÁ (PA) – Diante da publicação de dezenas de fotografias de reunião entre vereadores eleitos, nas redes sociais de supostos candidatos a ocupar a cadeira mais importante da Câmara Municipal de Marabá (CMM), nos últimos dias, a reportagem do Portal Debate entrou em contato com o prefeito eleito Toni Cunha (PL) sobre as articulações que estão em andamento para a eleição de seu candidato, vereador Cabo Rodrigo (PL), que foi anunciado no dia 23 de dezembro de 2024.
De acordo com Toni Cunha, sua gestão buscará realizar ações estruturais que visam à modernização da cidade de Marabá, a eficiência na prestação do serviço público, aplicação dos recursos sempre voltados para a melhoria da qualidade de vida da população e o combate à corrupção, mas para viabilizar seu plano de governo, ele vai precisar eleger um vereador de sua confiança para ficar à frente do Legislativo Municipal, nos dois primeiros anos de governo, logo não abrirá mão de eleger seu escolhido, vereador Cabo Rodrigo.
Segundo o prefeito eleito, ele já está com o time da articulação “em campo” e ainda “tem muita água para passar embaixo da ponte” até o dia 1º de janeiro de 2025. O futuro gestor afirmou que o seu candidato, Cabo Rodrigo, já possui maioria absoluta, porém vai continuar conversando com os parlamentares eleitos com o objetivo de montar uma base sólida na Câmara de Marabá para que possa aprovar as mudanças que irão impactar de forma positiva a vida das pessoas na Terra de Francisco Coelho.

“Um pé lá e outro cá”
Em tempos de eleição de mesa nas câmaras municipais Brasil afora, tornou-se comum os vereadores que não possuem um vínculo ideológico com o prefeito eleito, participarem de várias reuniões, na tentativa de escolher “um lado” que dê ao parlamentar uma guarida melhor e mais duradoura para seus correligionários. Nas fotos publicadas recentemente, existem vereadores que perfilam em todos os cliques, analisando o cenário que poderá mudar “da noite para o dia”. Essa postura está errada? Não, pois esse tipo articulação faz parte do jogo democrático nas casas de leis, mas como diz o ditado popular, o prefeito eleito sempre possui mais “bala na agulha”.
Na verdade, estas “costuras” iniciais costumam ser desfeitas no dia da posse dos parlamentares eleitos e uma nova configuração da mesa diretora quase sempre vai para votação no plenário, pois, afinal, todo político gosta de poder e em Marabá este comportamento não será diferente. No entanto, Toni Cunha e Cabo Rodrigo não poderão “comer mosca” durante as articulações, porque nos corredores da CMM rola que os vereadores eleitos estão “amedrontados” com a postura séria, austera e firme do novo prefeito eleito devido a um suposto corte no valor das emendas impositivas, algo que ainda nem se concretizou e poderá haver mudança de rumo.
Em reservado, a maioria dos parlamentares que está participando destas reuniões iniciais, ouvidos pela reportagem, admitiu que fará parte da base de apoio do novo gestor, ou seja, eles estão com “um pé lá e outro cá”, porém estaria trabalhando pela configuração de uma Câmara de Marabá que atue de maneira independente do Executivo Municipal. Já Cabo Rodrigo, ex-militar da PM, é um vereador que vai para o 3º mandato, portanto possui experiência suficiente para gerenciar a CMM, porque “sabe como as pedras se movem no xadrez legislativo de Marabá”.
Nesta “queda de braço”, cabe a Toni e Rodrigo articularem o jogo com muita sabedoria e habilidade para iniciar o mandato a altura dos 69.666 (51,08%) dos eleitores que confiaram seu voto em Toni Cunha para administrar Marabá. Para quem venceu 7 opositores fortes (candidatos, pré-candidatos, prefeito e governador) na eleição do dia 6 de outubro de 2024, a tarefa de eleger o presidente da Câmara Municipal de Marabá não me parece uma jornada das mais difíceis para o delegado licenciado da Polícia Federal (PF), mas ele não pode bobear.

Oposição
Durante conversa com a reportagem, na noite desta quinta-feira (26), Toni Cunha deixou claro que não pretende buscar o apoio de todos os vereadores. Segundo ele, está sendo finalizada a construção de uma base sólida e segura, com uma boa margem de segurança, porém seu governo vai precisar de parlamentares fiscalizando seus secretários, pois uma oposição atuante e equilibrada sempre fez bem para a democracia. “Quem ganhou a eleição em Marabá, enfrentando e vencendo o poderoso governador Helder Barbalho (MDB), não vai se assustar no primeiro embate”, finalizou o prefeito eleito.
Toni e Rodrigo vão precisar articular o apoio de, no mínimo, 16 vereadores, pois existe matéria que vai exigir 2/3 dos votos da Casa de Leis. Resta saber quais parlamentares irão “comer o pão que o diabo amassou durante 4 anos” e quais serão os ungidos pela água benta de Santo Antônio nesta jornada. No dia 1º de janeiro de 2025, o povo de Marabá saberá quem estava com a razão. Viva a democracia. Ela sobreviveu em Marabá. (Pedro Souza)


