O Censo 2022, conduzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que quase 16,4 milhões de brasileiros, ou cerca de 8,1% da população do país, vivem em favelas e comunidades urbanas. Essas áreas, caracterizadas por condições urbanísticas precárias e carência de serviços públicos essenciais, somam 12.348 favelas em 656 municípios brasileiros. O Pará se destaca nesse cenário, abrigando aproximadamente 1,5 milhão de moradores em comunidades, número que coloca o estado em terceiro lugar no país em concentração populacional em favelas.
No Norte do Brasil, o crescimento das áreas urbanas intensifica os desafios de infraestrutura e acesso a serviços básicos. Em Belém, a situação é ainda mais alarmante: 57,1% dos habitantes vivem em favelas, o maior índice entre as capitais brasileiras. Entre as comunidades da capital paraense, as “Baixadas da Estrada Nova Jurunas” e “Baixadas da Condor” se destacam, somando mais de 74 mil moradores. Essas áreas refletem as dificuldades de urbanização enfrentadas pela cidade, que se posiciona entre as maiores concentrações populacionais em favelas do país.
Raça e Desigualdade
A pesquisa do IBGE evidencia que a população das favelas brasileiras é majoritariamente composta por pretos e pardos, que representam 72,9% dos moradores dessas comunidades, acima da média nacional. No Pará, essa desigualdade racial também é evidente, indicando a necessidade de políticas públicas voltadas à inclusão e ao combate à discriminação racial.
Além disso, a população dessas áreas é mais jovem do que a média brasileira, com idade média de 30 anos. No Pará, isso representa um importante indicativo para a formulação de políticas de educação, saúde e emprego, voltadas especialmente para jovens em situação de vulnerabilidade social.
As 20 Maiores Favelas e o Cenário Paraense
A pesquisa também identificou as 20 maiores favelas do Brasil, entre elas a Rocinha, no Rio de Janeiro, que lidera a lista com mais de 72 mil habitantes. Somadas, as 20 maiores comunidades do país totalizam 858,6 mil moradores, o que mostra a extensão do desafio habitacional brasileiro. Em Belém, as grandes comunidades da cidade estão entre as principais do país em termos de concentração populacional, reforçando a necessidade de investimentos em políticas habitacionais e sociais no estado.
Desafios e Necessidades de Ação
O novo levantamento do IBGE permitiu um mapeamento mais preciso das áreas de favelas, ajudando a compreender melhor as dinâmicas urbanas e a vulnerabilidade desses territórios. O crescimento das comunidades urbanas no Pará indica que, embora os desafios de urbanização sejam complexos, há também avanços no reconhecimento dessas áreas pelo governo.
Os dados do Censo 2022 trazem à tona a importância de iniciativas mais amplas para combater o déficit habitacional e melhorar a qualidade de vida dos moradores de favelas. No Pará, esses investimentos são essenciais para garantir a inclusão social e o desenvolvimento das comunidades que mais precisam de apoio e recursos. (Com Agência Brasil)


