Instituto Doxa divulgou pesquisas para confundir o eleitorado em Marabá e outras cidades do Pará

Na Metrópole de Carajás, instituto indicava que o candidato Chamonzinho (MDB) venceria com 53,4% dos votos, enquanto Toni Cunha (PL) ficaria com 32,4%. No entanto, após a apuração, o resultado das urnas mostrou a vitória acachapante de Toni Cunha com 51,08%, enquanto Chamonzinho obteve 34,03%

DA REDAÇÃO — Os institutos de pesquisa que realizaram levantamentos no Pará durante as eleições de 2024 cometeram erros gritantes, distorcendo de forma vergonhosa os resultados nas principais cidades do estado. Um dos casos mais notórios foi em Marabá, onde o Instituto Doxa indicava que o candidato Chamonzinho (MDB) venceria com 53,4% dos votos, enquanto Toni Cunha (PL) ficaria com 32,4%. No entanto, após a apuração, o resultado das urnas mostrou a vitória acachapante de Toni Cunha com 51,08%, enquanto Chamonzinho obteve 34,03%. Esse erro grotesco é apenas um entre muitos cometidos pelo Doxa, que já foi alvo de investigação pela Polícia Federal por falhas semelhantes.

Essa manipulação de dados, seja por má-fé ou incompetência, tem o potencial de influenciar o curso das eleições, especialmente em disputas equilibradas. No Pará, o problema não se restringe a Marabá. Em diversas outras cidades, como Parauapebas e Santarém, a Doxa e outros institutos erraram drasticamente, subvertendo a realidade eleitoral. Esses erros sistemáticos levantam suspeitas sobre a real função dessas pesquisas, que muitas vezes parecem estar mais a serviço de interesses políticos do que da verdade.

A gravidade dessas falhas expõe a necessidade urgente de regulamentação. O Projeto de Lei de autoria do deputado federal Pastor Marco Feliciano (PL/SP) propõe que institutos de pesquisa que apresentem resultados repetidamente discrepantes e suspeitos sejam impedidos de operar, e seus diretores sejam responsabilizados. O projeto visa a evitar a criação de novos institutos com os mesmos responsáveis e garantir maior transparência e responsabilidade nas pesquisas eleitorais, impedindo que resultados manipulados distorçam a vontade popular e interfiram na democracia.

Além de Marabá, outros grandes colégios eleitorais também foram vítimas dos erros dos institutos de pesquisa. Em Parauapebas, o Instituto Doxa apontava para a realização de um segundo turno, com Aurélio Goiano (Avante) liderando com 43,5%, seguido de Rafael Ribeiro (UB) com 37,1%. No entanto, Aurélio foi eleito no primeiro turno com 58,52%, enquanto Rafael obteve apenas 28,51%. Em Santarém, a discrepância também foi significativa, com o Doxa prevendo uma vitória de JK do Povão (PL) com 51,4%, quando o resultado final das urnas deu 49,73% para José Maria Tapajós (MDB) e 41,92% para JK.

O caso de Marabá destaca o padrão de erros cometidos pela Doxa e outros institutos. Mesmo em cidades menores, como Eldorado dos Carajás e Xinguara, as pesquisas erraram ao prever resultados completamente divergentes da realidade. Essa recorrência sugere não apenas incompetência, mas uma possível manipulação para favorecer determinados candidatos.

Talvez o maior campeão de erros foi o Instituto Datailha, que só realizou pesquisa em Belém e falhou fragorosamente. O Instituto maranhense garantia que o prefeito Edmilson Rodrigues (PSol) terminaria o primeiro turno na liderança, com 30,5%, contra 29,2% de Igor Normando, 17% de Eder Mauro, 9,2% de Thiago Araújo e 6,4% de Jefferson Lima, entre os mais votados. Aqui não se trata de votos válidos, que não foram apresentados pela empresa. O resultado foi Igor com 44,89%, Eder Mauro com 31,48%, Edmilson com 9,78%, Thiago Araújo com 7,77% e Jefferson Lima com 4,53%. Até os amigos de Edmilson sabiam que o levantamento não correspondia à realidade.

Já o Instituto JC, formado pela equipe de Renato Conduru, indicava um crescimento de Thiago Araújo capaz de aproximá-lo, num virtual empate técnico, do segundo colocado. Falso. De acordo com o Instituto, Igor Normando teria 39,8%; Eder Mauro 19,9%; Thiago Araújo 15,1%, Edmilson Rodrigues, 11,3% e Jefferson Lima, 3,8%. O resultado não bateu com a realidade.

Em Marabá, registre-se, apenas um Instituto acertou a vitória de Toni Cunha (PL). Foi o Ampla, conduzido por Júnior Rosa. Na sexta-feira que antecedeu a eleição, Ampla cravava que Toni venceria com 49,05% dos votos válidos, contra 36,42% de Chamonzinho e 14,51% de Dirceu. O resultado foi Toni com 51,08%, Chamonzinho com 34,03% e Dirceu com 14,88%. Da mesma forma Ampla acertou a vitória de Wagno Godoy (PP), em Itupiranga. O Instituto cravou que ele teria 47,10% dos votos válidos, contra 35,6% de Benjamin Tasca (MDB) e 17,35% de Eider Gomes (UB). O resultado foi Godoy com 44,13%, Benjamin com 38,97% e Eider com 16,90%.

A influência que essas pesquisas exercem sobre o eleitorado, principalmente quando divulgadas às vésperas das eleições, é inegável. Em muitos casos, elas moldam o comportamento do eleitor e interferem diretamente no resultado das urnas. A repetição desses erros coloca em dúvida a credibilidade dos institutos de pesquisa, que deveriam atuar com isenção, servindo como ferramenta de informação, e não de manipulação.

Diante desses fatos, a criação de uma legislação que responsabilize os institutos de pesquisa é fundamental para evitar novos abusos. O Projeto de Lei do deputado Pastor Marco Feliciano propõe que as empresas que apresentem resultados discrepantes sejam proibidas de continuar operando e seus diretores impedidos de abrir novas empresas no mesmo ramo. Essa medida busca proteger o eleitorado de manipulações e assegurar que as pesquisas de opinião sejam conduzidas com rigor e transparência.

Os erros massivos cometidos pelos institutos no Pará, especialmente em cidades como Marabá, Parauapebas e Santarém, evidenciam a urgência de uma regulamentação que puna esses desvios e garanta que o processo eleitoral não seja contaminado por interesses obscuros. O eleitor deve ter a segurança de que as pesquisas refletirão, de fato, a realidade das intenções de voto, e não servirão como ferramentas de manipulação política. (Portal Debate)

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