Prefeita de Canaã dos Carajás exonera três secretários após operação contra fraudes em licitações

A decisão foi publicada no Diário Oficial do município. A prefeita não emitiu declarações sobre as razões das exonerações ou sobre a nomeação de novos ocupantes para as pastas

DA REDAÇÃO — A prefeita de Canaã dos Carajás, Josemira Gadelha (MDB), exonerou três membros de seu secretariado no último dia 8 de agosto após a realização da Operação Locus 2 na cidade do sudeste do Pará. A operação ocorreu no dia 6 de agosto e foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), com o apoio de agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), com o objetivo de combater um vasto esquema de fraudes a licitações envolvendo agentes públicos e empresários.

Os exonerados são Roberto Andrade, secretário de Governo (Segov), Antônio Carlos, presidente da Fundação de Cultura, Esporte e Lazer (Funcel), e Marcos Silva, secretário Municipal de Saúde (Semsa). Os nomes de Roberto Andrade e Antônio Carlos constam no processo de número 0810786-30.2024.8.14.0401, que tramita na Vara de Combate ao Crime Organizado de Belém. A ação trata de medidas investigatórias sobre organizações criminosas, revelando um vasto esquema de fraudes no poder público de Canaã dos Carajás.

Prefeita Josemira Gadelha, de Canaã dos Carajás | Foto: Reprodução

A decisão foi publicada no Diário Oficial do município. A prefeita não emitiu declarações sobre as razões das exonerações ou sobre a nomeação de novos ocupantes para as pastas.

No dia da operação, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Canaã dos Carajás (Ascom) se manifestou sobre a operação, por meio de nota:

“A prefeitura de Canaã dos Carajás informa que a operação realizada no município pelo Gaeco, do Ministério Público do Estado do Pará, nesta terça-feira (06), investiga fatos que apura irregularidades supostamente ocorridas antes de 2018. A ação corre em segredo de Justiça.

Outros órgãos, como a PRF, deram apoio às ações. Foram cumpridos somente mandados de busca e apreensão para dar suporte às investigações.

A prefeitura de Canaã preza pela transparência e está à disposição das autoridades para prestar todas as informações que forem solicitadas, assim como repassá-las à comunidade assim que todos os detalhes forem apurados”.

Sobre a operação

Na Operação “Locus 2”, apelidada de “Terra Comprometida”, foram cumpridos 27 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara de Combate ao Crime Organizado do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA). As diligências resultaram na apreensão de R$ 565.304,00, €17.670 em espécie, e R$ 309.759,90 em cheques. Além disso, foram confiscadas nove armas de fogo, munições, computadores, tablets, dispositivos de armazenamento de dados, documentos e joias.

Durante a operação, sete pessoas foram conduzidas à delegacia após a polícia encontrar armas de fogo em suas residências. As buscas visaram a reunir mais provas sobre as atividades ilícitas envolvendo os seguintes agentes públicos e empresários:

Roberto Andrade Moreira, Arleides Martins De Paula, José Wilson Dos Reis, Edson Sousa Silva, Leo Ferreira De Castro, Roselma Da Silva Feitosa Milani, Zilmar Costaaguiar Junior (“Junior Garra”, vereador de Canaã dos Carajás), Flávio Gomes De Sousa, Jean Carlos Ribeiro Da Silva, Douglas Ferreira Santana, Maurício Moura Martins, José Nilton Calixto De Barros, Gilvan Da Silva Pinheiro, Ailson Ferreira Alves, João Vicente Ferreira Do Vale (Branco da White), Rodrigo Gonçalves Dos Santos, Cristiano Custodio De Queiroz, Daniel Gomes Nunes Filho, Rosinaldo Ribeiro De Santana, Weder Carlos Da Rocha, Ismael Souza Oliveira Neto, Daiane Celestrini Oliveira, Antonio Carlos Da Silva Ribeiro, Tiarles Da Silva Santos, Patricia Dos Santos Branco.

As investigações buscam aprofundar as evidências colhidas desde 2019, com o objetivo de desmantelar a rede de corrupção que teria influenciado processos políticos e administrativos na região. Essa organização era composta por empresários e agentes públicos envolvidos em um esquema ilícito de manipulação de licitações, corrupção ativa e passiva, e lavagem de dinheiro. O grupo criminoso atuava frustrando o caráter competitivo de processos licitatórios e fraudando contratos públicos.

A reportagem do Portal Debate tentou contato com a defesa dos citados nesta matéria, mas até a publicação ainda não havia obtido retorno. (Portal Debate)

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