Onze dias de ocupação em Marabá geram conflito entre ocupantes e dono do terreno

Barracos de lona e madeira têm sido erguidos gradualmente, com os ocupantes demarcando de forma improvisada seus terrenos.

MARABÁ (PA) — Há onze dias, aproximadamente 150 famílias ocuparam uma área localizada entre as margens da Estrada de Ferro Carajás e o viaduto que dá acesso ao bairro Nossa Senhora Aparecida, no Núcleo Nova Marabá, em Marabá. Barracos de lona e madeira têm sido erguidos gradualmente, com os ocupantes demarcando de forma improvisada seus terrenos.

A organização dos ocupantes incluiu uma seleção prévia de quem poderia residir no local, que pode vir a se transformar em mais um bairro sem infraestrutura adequada no município. Contudo, o proprietário da área, Cornélio Pereira Bitaraes, contratou vigilância armada, que estabeleceu uma tenda no local e mantém viaturas 24 horas por dia, gerando denúncias de ameaças por parte dos ocupantes.

Maria Amélia, uma das ocupantes, justificou a ação afirmando que busca segurança e dignidade, destacando que a área era anteriormente dominada pela violência e falta de segurança. Ela mencionou que cada família ficou com uma área de 8 metros de frente por 20 metros de fundo, após um mapeamento do terreno. Marcos Melo, outro ocupante, ressaltou que o local era utilizado para acúmulo de lixo urbano, enquanto centenas de famílias necessitavam de moradia. Ele afirmou que, se a Justiça determinar a remoção, as autoridades deverão encontrar um novo lugar para essas famílias residirem.

Alisson Reis de Souza, apontado por outros ocupantes como um dos organizadores da ocupação, negou tal envolvimento. O grupo afirmou que apenas famílias sem condições de pagar por uma moradia foram aceitas na ocupação.

Na última quarta-feira (7), Antônio Spíndola, outro ocupante, enviou um vídeo à imprensa local alegando que, durante a madrugada, seguranças teriam incendiado vários barracos que levaram dias para serem construídos. Ele alertou que os ocupantes reagirão caso uma cerca seja erguida ao redor do terreno.

O proprietário da área apresentou os documentos de posse à Delegacia de Conflitos Agrários (Deca), solicitando a retirada dos ocupantes. No entanto, além de necessitar de uma decisão judicial, há dúvidas sobre a competência da Deca para atuar, visto que a área é urbana e não rural.

Segundo informações do blog Zé Dudu, na última segunda-feira (5), Bitaraes ingressou com uma ação judicial junto à 2ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de Marabá, requerendo a reintegração de posse. Até que a liminar seja emitida, a polícia não pode proceder com a remoção das famílias. (Portal Debate)

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