MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ — Na tarde desta terça-feira (16), o advogado Kleiton Barbosa, representante de Leiliane Antonia Costa, mãe do jovem Crisan César Costa Santos, de 19 anos, apresentou a versão da defesa em resposta às acusações feitas pelo Grupo Atitude LGBT+ de Marabá. A entidade denunciou Leiliane por injúria racial, tentativa de homicídio e instigação ao suicídio, apontando uma série de violências que podem ter contribuído para a morte do jovem. A denúncia foi formalizada junto à Polícia Civil do Pará.
Em entrevista ao jornalista Vinícius Soares, o advogado Kleiton Barbosa alegou que a mãe não agrediu o filho, mas se defendeu de uma suposta agressão de Crisan. No entanto, o advogado não apresentou registros que indiquem hematomas em Leiliane, enquanto existem vários registros documentando a gravidade da violência sofrida por Crisan. Na visão do advogado, a suposta agressão de Crisan contra a mãe poderia ser enquadrada na Lei Maria da Penha.
O defensor sustenta que Leiliane agiu para repelir uma injusta agressão de Crisan. Questionado sobre fotos de hematomas que Crisan enviou para amigos próximos, servindo de testemunhas na denúncia ao Ministério Público, Barbosa afirmou que as imagens são de 2016, quando Crisan ainda era adolescente e teria supostamente espancado (palavra usada pelo advogado) a irmã, e a mãe o teria punido fisicamente. O advogado afirma ser a favor de pais que batem nos filhos, uma prática que, segundo ele, é da “sua época”.
O advogado comparou a situação com um caso de um jovem que matou a família porque a mãe tomou seu celular, reforçando a alegação de que Leiliane se defendia de agressões de Crisan e revelando a estratégia da defesa. Ele afirmou que Crisan se assumiu homossexual aos 16 anos e que toda a família sabia de sua orientação sexual, incluindo a irmã que teria acompanhado Crisan e um namorado ao shopping. Barbosa revelou que Crisan era HIV positivo, enfrentava crises convulsivas após ingressar no Exército Brasileiro, e que laudos médicos apontam alucinações e esquizofrenia.
Além disso, o advogado mencionou que a família está recebendo ameaças nas redes sociais e que Leiliane não retornou para casa devido a temores de possíveis ações violentas. Sobre a rapidez do velório e sepultamento de Crisan, Barbosa explicou que a despedida foi rápida porque manter o corpo no velório junto à funerária era caro e a família não possuía recursos financeiros.
O Grupo Atitude LGBT+ de Marabá formulou as denúncias com base em vídeos, fotos e trocas de mensagens que indicam um contexto conturbado e a falta de aceitação familiar em relação à sexualidade de Crisan, resultando em lesões corporais graves e abusos psicológicos. Em vida, Crisan documentou episódios de violência e agressões físicas, temendo retaliações e por não ter onde morar, ele não denunciou as agressões às autoridades.
A Polícia Civil do Pará abriu investigação sobre as circunstâncias da morte de Crisan e a mãe do jovem já prestou depoimento na 21ª Seccional Urbana na manhã desta quinta-feira (18), acompanhada do advogado. O Ministério Público do Pará (MPPA) também abriu Notícia de Fato sobre a denúncia recebida. A 2ª Promotoria de Justiça Criminal está à frente do caso. (Portal Debate)


