Governo peruano classifica transexualidade como doença mental

Essa medida foi inserida em uma lista de enfermidades que os planos de saúde do país devem considerar em seus tratamentos.

O Ministério da Saúde do Peru classificou a transexualidade e transtornos de identidade de gênero como doenças mentais. Essa medida foi inserida em uma lista de enfermidades que os planos de saúde do país devem considerar em seus tratamentos.

Segundo informações do jornal “El Comércio”, a inclusão da transexualidade nessa lista implica que os planos de saúde não são obrigados a oferecer terapias para essa condição se ela não estiver especificamente contemplada.

Além da transexualidade, outros itens relacionados foram adicionados à lista, como travestismo, transtorno de gênero na infância, além de transtornos de identidade de gênero não especificados.

No Peru, as regras determinam que uma doença só pode constar na lista se for reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em sua Classificação Internacional de Doenças, uma referência global para estatísticas de saúde.

Entretanto, a decisão do Ministério da Saúde peruano entra em conflito com a posição da OMS, que em 2019 retirou a transexualidade da categoria de transtornos mentais. A 11ª versão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas de Saúde não inclui mais a transexualidade como um transtorno mental, classificando-a agora como uma questão de saúde sexual e identificando-a como incongruência de gênero.

A deputada Susel Paredes, conhecida ativista dos direitos LGBTQIA+, manifestou-se contrária à decisão do governo. Por meio de sua conta em uma rede social, ela argumentou que a inclusão da transexualidade como uma doença apenas reforça o estigma e a discriminação contra as pessoas trans. Paredes também enfatizou a necessidade de políticas de saúde mental em conformidade com os padrões internacionais.

Enquanto isso, a organização Mais Igualdade Peru mobilizou mais de 400 profissionais de saúde mental para pedir ao Ministério da Saúde que reconsidere sua decisão, destacando a importância de uma abordagem mais inclusiva e respeitosa em relação à saúde da comunidade LGBTQIA+. (Com Confirma Notícia)

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