Facimpa aceita inscrição de André Ataíde com nota do Enem; jovem é investigado por fraudar exame

O nome do jovem aparece na relação de inscrições homologadas do processo seletivo modalidade Enem para o curso de medicina da Facimpa, para o período letivo 2024/2
Foto: Reprodução

MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ — O golpista André Rodrigues Ataíde, de 23 anos, que está em liberdade provisória após ser preso por fraudes ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), foi aceito no mais recente processo seletivo do curso de medicina da Faculdade de Ciências Médicas do Pará (Facimpa), unidade de Marabá. O jovem utilizou a nota obtida no exame, na edição de 2020, para ingressar na faculdade particular, após ter a matrícula cancelada pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), onde teria cursado até o sétimo semestre.

O nome do jovem aparece na relação de inscrições homologadas do processo seletivo modalidade Enem para o curso de medicina da Facimpa, para o período letivo 2024/2. A lista foi publicada nesta quarta-feira (15) e leva a assinatura do diretor geral da Facimpa, Emiliano Furtado Campos.

A reportagem do Portal Debate tentou contato com a direção da Faculdade de Ciências Médicas do Pará (Facimpa) para ouvir a versão da instituição sobre o caso, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço continuará aberto para futura manifestação.

Entenda o caso

A Operação Passe Livre, iniciada pela Polícia Federal em fevereiro, visa a combater fraudes ao Enem. Um dos principais alvos é André Ataíde, ex-estudante de medicina na Uepa em Marabá, suspeito de ter sido aprovado duas vezes no exame, utilizando as identidades de Eliésio Ataíde e Moisés Assunção.

Os três foram alvos de mandados de busca e apreensão em 16 de fevereiro, resultando na apreensão de telefones celulares, provas do Enem de 2019 a 2023 e manuscritos.

A perícia da Polícia Federal revelou que as assinaturas nos cartões de resposta e as redações não correspondiam aos inscritos nos processos seletivos do Enem, indicando possível uso de documentos falsos. Estima-se que André tenha recebido cerca de R$ 150 mil para fazer o exame no lugar dos verdadeiros candidatos.

Durante as investigações, foi observado um comportamento suspeito: no dia da prova do Enem, em 5 de novembro de 2023, Moisés trocou mensagens com sua namorada às 15h26, horário da realização do exame.

Com base nas notas fraudulentas do Enem, Eliésio e Moisés foram aprovados em Medicina na Uepa em Marabá, sem terem realizado a prova. No entanto, as vagas foram revogadas e devolvidas aos candidatos prejudicados pela fraude, por decisão da Justiça Federal de Marabá. (Portal Debate)

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