Golpista André Ataíde é preso em Belém tentando fugir da PF

De acordo a Polícia Federal, as investigações revelaram a participação de André em várias atividades criminosas além da fraude no Enem
André Ataíde é investigado por uma série de delitos | Foto: Reprodução/Portal Debate

MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ — A Polícia Federal do Pará efetuou, na tarde desta sexta-feira (29), a prisão do golpista André Ribeiro Ataíde, de 23 anos, investigado por ter realizado provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) em nome de dois indivíduos para ingresso no curso de medicina da Universidade do Estado do Pará (UEPA), em Marabá. A prisão é mais um desdobramento da operação Passe Livre, deflagrada em fevereiro e que ganhou repercussão em nível nacional.

A Polícia Federal esteve na casa do alvo na quarta-feira (27/3), sendo informada que os parentes sabiam que a qualquer momento ele seria preso, por conta do que havia no celular dele. Para evitar a prisão, o suspeito foi levado de Marabá a Belém, para se esconder em casa de familiares.

Embora André seja apontado como o mentor do esquema de fraude no Enem, a prisão foi efetuada com base em evidências de diversos outros delitos, algumas das quais foram encontradas em seu celular.

Durante a análise dos materiais apreendidos, foram localizados diversos outros crimes, como realização de inúmeras provas de vestibulares de medicina de faculdades particulares, falsificação de documentos como RG’s, cartões do SUS, atestados médicos, receitas médicas, produção de cena de sexo explicito com adolescente, etc.; Os crimes que não guardam conexão com crimes federais foram descobertos fortuitamente durante a análise de parte dos materiais apreendidos.

Ao Portal Debate, o advogado Magdenberg Teixeira, que faz a defesa do acusado, argumentou que a prisão é uma medida extremamente severa, considerando que André tem colaborado com as autoridades desde o início das investigações, e anunciou a intenção de solicitar a revogação da prisão.

Entenda o caso

André Ataíde era estudante de medicina na UEPA, campus de Marabá, e estava cursando o quinto período. Em decisão nesta semana, a Justiça Federal determinou a suspensão da matrícula de dois beneficiários das provas realizadas por André, Eliésio Ataíde e Moisés Assunção.

Na decisão, a Justiça Federal considerou que há elementos suficientes para concluir que os candidatos não realizaram as provas do Enem nos referidos anos, tendo uma terceira pessoa realizado os exames. Nesse sentido, por não terem sido aprovados no Enem, os investigados não possuem direito à matrícula no curso de medicina na Uepa.

Em cumprimento à decisão liminar, a Uepa convocou, com urgência, os candidatos legitimamente habilitados para o curso de medicina (aprovados no Enem em 2022 e 2023), para ocuparem as duas vagas. (Portal Debate)

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