Depois de uma audiência de custódia, realizada nesta terça-feira (19), em Belém, a Justiça determinou a revogação da prisão temporária de seis influencers investigados por aliciar pessoas a apostarem em jogos de azar na internet.
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Alvará de soltura cita seis dos oito presos no Pará — Foto: Reprodução/ TV Liberal
O alvará de soltura, determinado pelo juiz Lucas do Carmo de Jesus, da 1ª Vara Penal de Inquéritos Policiais, liberou os seguintes presos na operação: Gleison Pereira Soares, Suzana Karla Melo de Araújo, Géssica Meirelles Alves, Jamily de Pinho Ipiranga, Ianne Raquel Andrade dos Santos e Emilly Almeida da penha.
Segundo a decisão, os suspeitos estão proibidos de sair de casa entre 20h e 6h, e não podem usar qualquer tipo de rede social. Também está vetado a comunicação e o contato entre os envolvidos.
Segundo o advogado Marco Pina, que faz a defesa de um dos influencers investigados, Gleison Pereira Soares, conhecido nas redes sociais como ‘Mago das Unhas’, o juiz concluiu que não havia mais necessidade de manter as prisões. O inquérito continuará aberto, mas os sete devem responder em liberdade e aguardando a conclusão da investigação da polícia.
Não constam no alvará de soltura Rayssa Berbary e a influencer Noelle Maria de Araújo Lopes, uma das principais investigadas na operação, que se entregou na manhã desta terça-feira (19) e ainda não participou da audiência de custódia.
Segundo as investigações, os influenciadores ganhavam dinheiro para incentivar os seguidores a fazerem apostas em plataformas de jogos de azar, ilegais aqui no Brasil. Alguns compraram casas de luxo em condomínios de Belém e veículos importados, segundo a polícia.
De acordo com as investigações, o esquema junto aos influenciadores funcionava deste modo: a cada 100 “aliciados”, cada influenciador recebia R$ 1 mil. A movimentação financeira de um dos investigados chegou a mais de R$ 20 milhões, segundo a polícia.
A operação começou há quatro meses, quando uma vítima compareceu à Seccional do Comércio, na capital paraense, e relatou que perdeu R$ 15 mil. De acordo com a vítima, ela teria ganho R$ 400 mil no jogo mas, ao tentar sacar o valor, foi bloqueada no site de apostas.
Há duas semanas, o Fantástico mostrou que influenciadores chegaram a ser presos por promoverem o “Jogo do Tigrinho”. A prática é feita no país inteiro.
O delegado Daniel Castro diz que, no Pará, um dos investigados teve um fluxo de mais de R$ 20 milhões, e que no ato de prisão de um deles, houve a notificação de pix que somou R$ 50 mil.
Quem são os influenciadores
- Gleison Pereira Soares, conhecido nas redes sociais como ‘Mago das Unhas’
O influenciador possui mais de 100 mil seguidores e diz que é “empresário apostador”. Nas imagens compartilhadas pela internet, ele diz que conquistou a reforma de uma casa, o financiamento de um apartamento, a compra de televisão, uma geladeira e viagens.
Recentemente, Gleidson expôs aos seguidores que estaria se “despedindo dos atendimentos de unhas”. Segundo ele, o motivo seria que, “para a sua segurança, não poderia mais trabalhar na área”.
- Suzana Karla Melo de Araújo
É mãe de Noelle Araújo, uma das influenciadoras que está sendo investigada por envolvimento no esquema de jogos de azar. Em suas redes sociais, ela também compartilhava os faturamentos e aliciava pessoas a apostarem.
A influenciadora excluiu suas redes sociais após ser presa pela polícia. Ela tinha mais de 30 mil seguidores.
Além de compartilhar os links dos jogos de azar, também mostrava seu dia a dia como empresária no ramo de estética e bronzeamento.
- Rayssa Natacha Motta Berbary
Possui mais de 110 mil seguidores em uma rede social e sempre compartilha suas participações nos eventos de lançamentos de plataformas de jogos de azar. Na descrição de seu perfil, Rayssa diz que é “50% apostadora e ajudante de ansiosos”.
- Jamily de Pinho Ipiranga
A influenciadora possui mais de 100 mil seguidores em suas redes sociais e compartilha frequentemente os possíveis ganhos que realiza com as plataformas de jogos de azar, incluindo gravações de telas com valores altos e a facilidade de como seria possível ganhar.
Ela afirma ser produtora de conteúdo em suas redes sociais. A paraense, antes de excluir sua conta, contabilizava mais de 100 mil seguidores. Seu perfil tinha imagens de viagens, compra de carro e links destacados para que o público pudesse apostar.
Outras quatro pessoas são apontadas pela Polícia como envolvidas, de acordo com a investigação da Polícia Civil do Pará, e estão foragidas.
- Ingrid Naiane Silva da Silva
- Lucas Tavares Lobo
- Hellen Mayara Oliveira Borges
- Lorrany do Socorro Almeida de Souza
A reportagem está em contato com advogados das pessoas citadas na matéria.
O advogado de Gessica Meireles Alves disse que ela não não sabia que se tratava de uma atividade ilegal. “Acredito que, além dela, muitas outras pessoas são aliciadas pra fazer a divulgação desse tipo de aplicativo”, diz o advogado de defesa Ivan Mello.
Já a defesa de Rayssa Berbary disse que sua “cliente não cometeu crime nenhum. A situação será toda esclarecida durante o processo”.
O g1 tentou contato com as demais defesas, mas ainda não obteve retorno.


