A implementação do 5G surge como uma potencial revolução para o agronegócio. A tecnologia promete não apenas melhorar a comunicação, mas desencadear uma onda de inovações no campo, inclusive no Pará, impulsionando a agricultura de precisão e possibilitando automatização, rastreamento e monitoramento, o que eleva a eficiência e a produtividade nas operações agrícolas e pecuárias.
A adoção completa da tecnologia, no entanto, depende da superação dedesafios de conectividade em áreas rurais. Entre os compromissos de abrangência do leilão do 5G, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), está o atendimento, até 2030, de 1.700 localidades não sede com 5G. Ou seja, é possível que ainda leve alguns anos para que a cobertura nessas áreas seja como nos centros urbanos. A reportagem solicitou dados locais à agência, mas não obteve resposta.
Para o assessor técnico de tecnologia da informação (TI) da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Ivaldo Cardoso Soares, a introdução do 5G nas áreas rurais do Estado tem o potencial de causar um impacto positivo nas estratégias e operações relacionadas ao agronegócio.
Uma das vantagens, segundo ele, é que a melhor conectividade habilitaria agricultores e pecuaristas a acessar dados em tempo real, monitorar suas operações de maneira remota e utilizar aplicativos e sensores conectados para otimizar a administração de suas fazendas.
Além disso, haveria possibilidade deimplementação da agricultura de precisão, permitindo a coleta de dados mais detalhados e precisos, como informações sobre a qualidade do solo, umidade, temperatura e condições climáticas, além da automatização e uso de máquinas inteligentes, aumentando a eficiência e produtividade das operações.
Outro uso do 5G no agronegócio seria para rastrear e monitorar o gado, auxiliando na gestão da sanidade do rebanho, na detecção precoce de doenças e no aprimoramento da produção de carne e leite.
Alcance
As operadoras já têm adotado algumas medidas para possibilitar o uso do 5G no agronegócio. É o caso da Tim. Segundo o vice-presidente de tecnologia, Leonardo Capdeville, há uma série de localidades rurais cobertas com internet, embora o 5G ainda esteja sendo implantado. No geral, a operadora deve encerrar o ano alcançando 200 cidades do Brasil com a rede, além de ter atingido, nesta semana, a marca de todos os municípios do país com 4G.
“É muito difícil fazer uma equação econômica de montar uma torre com conectividade em áreas que têm poucos clientes, que são pouco densas, mas a gente conseguiu estabelecer um modelo de negócio em parceria com as maiores empresas do setor do agronegócio para levar a conexidade ao campo. A gente tem hoje 16 milhões de hectares cobertos dedicados ao agronegócio no país. E o nosso desafio é fazer com que esse modelo que deu certo no agronegócio para essas grandes empresas seja levado também para as médias e pequenas empresas”, adianta.
Capdeville explica que a conectividade é importante porque ajuda os negócios a ter maior eficiência em sua capacidade produtiva. E, com o 5G, as possibilidades serão ainda maiores. “No agro, hoje com 4G, é possível ter a informação de tudo que está acontecendo. Já o 5G vai permitir não só ter essa informação, mas manusear, dirigir remotamente”, diz. A evolução da abrangência, segundo o vice-presidente de tecnologia da Tim, tem sido gradual e depende da necessidade do uso em cada região
No caso da Vivo, a expansão da rede 5G para outras regiões evoluirá de acordo com capacidades técnicas, demanda e autorizações para instalações de antenas. No Pará, o 5G da operadora está em Alter do Chão e em bairros das cidades de Belém, Ananindeua, Castanhal, Parauapebas, Marabá e Santarém.
Em nota enviada à reportagem, a empresa ressalta que o agronegócio se tornou chave à companhia e, para atender o campo, a linha de negócio, Vivo Agro, se baseia na cocriação, em parceria com o produtor rural, do melhor ecossistema digital, com conectividade a dispositivos inteligentes baseados em internet das coisas e inteligência artificial, capazes de gerar dados que, lidos da maneira correta, potencializam o dia a dia no campo.
“O objetivo da companhia é levar inovação e aumento de produtividade ao agronegócio, com serviços que de fato ajudam a resolver os desafios de automatização e eficiência no campo. A Vivo atua através de uma estratégia de orquestração de ecossistema digital que, além de conectividade, entrega aos seus clientes um leque de soluções completas com dispositivos, aplicações, dados e serviços profissionais, tudo isso dedicado ao campo”, diz a nota da operadora.
A Claro, também procurada pela reportagem, não deu retorno a tempo de ser incluída na matéria.
Capacitação
Embora a conectividade ainda esteja chegando às áreas rurais do Pará, já é necessário investir na capacitação dos produtores e trabalhadores rurais para utilizar essas tecnologias de forma eficaz. Segundo o assessor técnico de TI da Faepa, Ivaldo Soares, investimentos em infraestrutura e treinamento são essenciais para garantir que o agronegócio no Pará possa aproveitar ao máximo o potencial do 5G.
Ele ressalta que o Sistema Faepa desempenha um papel “crucial” na integração de tecnologias para otimizar as operações e apoiar as atividades do agronegócio no Pará, por meio das capacitações oferecidas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Entre as iniciativas do órgão, Ivaldo destaca os cursos que abrangem tópicos como operação de drones, mecanização com realidade aumentada e treinamento de informática, entre outros.
Mas, ele ainda vê desafios na área de conectividade. Diz que, embora esteja em uso uma parcela significativa das tecnologias nas fazendas, ainda há obstáculos estruturais e técnicos, como os relacionados à infraestrutura de conectividade. Outra deficiência é quanto a profissionais capacitados para operar equipamentos, sistemas computacionais e soluções digitais.
Confira melhorias que o 5G pode levar ao agro:
- Melhor conectividade: Com a implementação do 5G, áreas rurais do Pará podem desfrutar de acesso confiável e de alta velocidade à internet. Isso habilita agricultores e pecuaristas a acessar dados em tempo real, monitorar suas operações de maneira remota e utilizar aplicativos e sensores conectados para otimizar a administração de suas fazendas.
- Agricultura de precisão: A tecnologia 5G simplifica a implementação da agricultura de precisão, permitindo a coleta de dados mais detalhados e precisos, como informações sobre a qualidade do solo, umidade, temperatura e condições climáticas. Esses dados aprimorados possibilitam o uso mais eficiente de recursos, como fertilizantes e sistemas de irrigação.
- Automatização e máquinas inteligentes: A capacidade de comunicação instantânea entre máquinas viabilizada pelo 5G promove a automação de tarefas agrícolas, aumentando a eficiência e produtividade das operações.
- Rastreamento e monitoramento: No setor pecuário, o 5G pode ser empregado para rastrear e monitorar o gado, auxiliando na gestão da sanidade do rebanho, na detecção precoce de doenças e no aprimoramento da produção de carne e leite.
- Logística e gestão da cadeia de suprimentos: O 5G melhora a logística e a gestão da cadeia de suprimentos agrícolas, possibilitando o rastreamento em tempo real dos produtos, reduzindo desperdícios e garantindo a qualidade dos produtos desde o campo até o consumidor final.
(Portal Debate, com Oliberal)


