Uma paca, animal silvestre comum na região amazônica, foi encontrada pelos militares do 9º Grupamento Bombeiros Militares em Altamira, sudoeste do Pará. O animal foi resgatado em uma área incendiada, mas não resistiu às queimaduras.
“A equipe se deparou com o animal correndo no meio do mato, já estava muito debilitado, os militares fizeram os primeiros socorros, a gente entrou em contato com um veterinário, parceiro nosso aqui do quartel, mas enquanto ela estava aqui morreu devido à quantidade de queimaduras.”, afirmou Major Saimo Costa.
Todo ano, milhares de animais morrem por conta do fogo em vegetações. Carbonizados ou vítimas de intoxicação, os bichos têm dificuldades para encontrar alimentos e até água, foi o que explicou o professor doutor da Universidade Federal do Pará (UFPA).
“Para os animais é bem problemático também porque eles precisam fugir do seu território. Alguns não conseguem fugir do fogo e morrem queimados, alguns escapam com sequelas e que podem ocasionar a morte do animal depois.”, explica o biólogo Paulo Bernardo.
“Outros animais que conseguem fugir irão encontrar outros problemas como, por exemplo, a falta de alimentação porque o local que ele habitava foi queimado.”
Tudo isso acontece no meio de uma estiagem histórica na região Norte, onda de calor, falta de chuvas por conta do fenômeno El Nino. Uma explosão no número de queimadas nas áreas urbanas e rurais. Uma camada de fumaça também foi registrada, prejudicando a saúde humana nos estados do Pará e o Amazonas.
Imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que os focos estão espalhados na Amazônia. OPará, de janeiro até 9 de novembro, registrou 33.433 queimadas. Ele aparece no topo da lista seguido dos estados do Amazonas com 18.795 e Mato Grossocom 11.396
Estados com mais focos
- Pará: 33.433
- Amazonas: 18.795
- Mato Grosso: 11.396
Esse levantamento também apontou que Altamira lidera o ranking dos municípios, de janeiro até dia 9 de novembro foram 3.366 ocorrências; São Félix do Xingucontabiliza 2.758; e Porto Velho, em Rondônia, com 2.400 registros.
Municípios com mais focos
- Altamira: 3.366
- São Félix do Xingu: 2.758
- Porto Velho: 2.400
“Altamira hoje, nós já ultrapassamos o quantitativo do ano passado. (…) Isso fora a demanda reprimida e não conseguimos atender, às vezes três, quatro, cinco no mesmo horário.”, afirma o Major Saimo.
A notícia acende um alerta para os órgãos ambientais, já que o estado brasileiro com maior índice de queimada é também o que vai sediar 30 Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) de Mudanças Climáticas. A COP 30 acontecerá na capital paraense em novembro de 2025.
O Governo Federal anunciou que mais de R$ de 400 milhões devem ser destinados em ações na Amazônia. Por meio de nota, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS) informou que reforçou efetivo e ampliou ações de prevenção e combate aos incêndios florestais e que tem alcançado redução das queimadas em extensão de área.
A Secretária da Gestão do Meio Ambiente de Altamira (SEMMA) respondeu que o município é composto por mais de 159.000 km² e 12 Terras Indígenas gerenciadas pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e 11 Unidades de Conservação pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ou Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (IDEFLOR-Bio), que cerca de 1.642 do total de focos identificados são de territórios protegidos.
Nas áreas que competem a gerência ao Executivo Municipal, a SEMMA, por intermédio do Setor de Fiscalização Ambiental, vem processando as informações sobre queima dos lotes urbanos e imóveis rurais e realizando fiscalizações pontuais. (Portal Debate, com Confirma Notícia)


