Sobe para 101 o número de mortos em incêndio florestal no Havaí

O incêndio da semana anterior destruiu ou danificou mais de 2.200 edifícios, incluindo 86% de residências
Foto: ZEKE KALUA/CONDADO DE MAUI/AFP

As autoridades confirmaram que o número de mortos  do incêndio florestal que varreu a cidade de Lahaina, em Maui, no Havaí, aumentou para 101. A tragédia, que ocorreu no dia 9 deste mês, deixou uma marca profunda na comunidade local, com moradores traumatizados e exaustos de depender de suprimentos de ajuda. Muitos aguardam informações sobre familiares desaparecidos e ainda não conseguiram inspecionar suas casas.

A dimensão do incêndio, que consumiu cerca de 13 quilômetros quadrados da cidade em poucas horas, combinada com os desafios logísticos da recuperação, afetaram os 13 mil residentes de Lahaina. Além dos efeitos imediatos, eles enfrentam a preocupante perspectiva de perdas financeiras relacionadas ao turismo, setor crucial para a economia local.

Até o momento, apenas poucos moradores receberam permissão para retornar às suas propriedades. O condado de Maui havia temporariamente aliviado as restrições, mas posteriormente suspendeu as visitas devido ao congestionamento causado por curiosos que obstruíram as vias usadas pelas equipes de resgate.

Enquanto isso, equipes de resgate com cerca de 20 cães farejadores estão realizando buscas meticulosas quarteirão a quarteirão entre as cinzas. Até a noite de segunda-feira (14), aproximadamente um quarto da área devastada já havia sido coberto pelas buscas, segundo John Pelletier, chefe de polícia de Maui.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, expressou sua intenção de visitar o Havaí “assim que possível”, mas destacou o cuidado para não atrapalhar os esforços de resgate em andamento. O governador do Havaí, Josh Green, comentou que Biden deseja evitar interferir com o trabalho complexo e emocional que está sendo realizado na zona do desastre.

Apesar das doações e promessas de recursos, a frustração local persiste devido à sensação de falta de atenção governamental de longa data. Kanamu Balinbin, treinador de futebol local, organizou um acampamento de auxílio para os deslocados, fornecendo água e comida às pessoas que perderam suas casas e pertences.

O incêndio da semana anterior destruiu ou danificou mais de 2.200 edifícios, incluindo 86% de residências, causando um prejuízo estimado de US$ 5,5 bilhões (R$ 27,3 bilhões). A catástrofe também reduziu a cinzas o patrimônio histórico da cidade, que foi a capital do reino do Havaí no século 19.

O episódio realça os impactos do aquecimento global, com eventos climáticos extremos, como incêndios, aumentando significativamente nas últimas décadas, conforme dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e do IPCC (Painel Intergovernamental para a Mudança Climática). (Portal Debate, com O Liberal)

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