Feminismo de “Barbie” enfurece políticos e religiosos conservadores

O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, extrapolou as críticas e comparou o filme com o nazismo em sua manifestação nas redes sociais

A estreia do filme “Barbie”, produção da Warner Bros. estrelada por Margot Robbie, tem suscitado reações polarizadas, particularmente de figuras conservadoras. A trama, que adota uma abordagem inovadora para a icônica boneca da Mattel, provoca reflexões sobre questões ligadas à sociedade patriarcal e promove valores feministas, o que resultou em acusações de contrariedade a princípios cristãos e suposta propaganda ideológica esquerdista.

A deputada estadual de Minas, Alê Portela, lançou uma campanha contra o filme, sugerindo que os pais evitassem levar crianças ao cinema, embora o mesmo possua classificação indicativa para 12 anos no Brasil. Ela critica o filme por abordar temáticas que, em sua visão, subvertem valores tradicionais. Contudo, a iniciativa não obteve êxito, visto que “Barbie” registrou expressiva audiência, estabelecendo o segundo maior dia de estreia da história do Brasil, com uma arrecadação aproximada de R$ 22,9 milhões e reunindo 1,18 milhão de espectadores somente na quinta-feira (20/7).

Outro ponto de discordância entre os conservadores foi a participação da atriz trans Hari Nef, interpretando a personagem Barbie Médica. Nos Estados Unidos, o site evangélico de cinema Movieguide convocou um boicote ao filme em razão da presença de personagens LGBTQIAPN+, alegando que o enredo negligencia o público familiar em detrimento de uma abordagem voltada a adultos nostálgicos, promovendo narrativas com personagens de orientações diversas.

Essas críticas também ecoaram no Brasil, onde figuras conservadoras adotaram um discurso similar. Algumas personalidades, a exemplo do pastor Pedrão, líder da Comunidade Batista do Rio, manifestaram sua desaprovação ao filme, sugerindo que este é excessivamente feminista, retratando os homens em um papel passivo.

O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, extrapolou as críticas e comparou o filme com o nazismo em sua manifestação nas redes sociais, tecendo uma associação negativa com o nome da personagem Barbie.

Em adição, nos Estados Unidos, políticos de orientação política conservadora também censuraram a produção, alegando que o filme tentava agradar aos sensores chineses ao exibir um mapa do mundo, onde territórios disputados foram representados de forma infantil como sendo da China. O senador do Texas, Ted Cruz, declarou que tem lutado incansavelmente para evitar que empresas americanas, especialmente estúdios de Hollywood, modifiquem o conteúdo de suas produções para agradar ao Partido Comunista Chinês, sugerindo que a Warner teria se submetido a tais pressões.

Apesar das controvérsias e opiniões divergentes, a estreia do filme “Barbie” alcançou um notável sucesso de bilheteria no Brasil, atraindo significativa atenção global. O debate em torno do filme permanece como um reflexo das complexas discussões acerca de representatividade, valores culturais e questões de gênero presentes na sociedade atual. (Portal Debate)

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