“Rabeteiros” não são o problema na travessia para Praia do Tucunaré em Marabá

Em Marabá, os principais acidentes relacionados a veículos aquáticos não envolvem os “rabeteiros”, mas sim os donos de lanchas e jetskis
Foto: reprodução

Nos últimos anos, registrou-se um aumento preocupante no número de acidentes fatais nas praias de Marabá. Recentemente, a Marinha tem realizado fiscalizações para garantir a segurança dos banhistas.

Atualmente, estão sendo exigidos requisitos específicos para os barcos responsáveis pelo transporte de banhistas até a Praia do Tucunaré. Essas medidas incluem a obrigatoriedade de habilitação do “rabeteiro”, documentação completa da embarcação e o uso obrigatório de coletes salva-vidas pelos passageiros.

No entanto, é importante ressaltar que, em Marabá, os principais acidentes relacionados a veículos aquáticos não envolvem os “rabeteiros”, mas sim os donos de lanchas e jetskis, que frequentemente conduzem seus veículos de forma imprudente.

Um caso ocorrido no ano passado ilustra essa situação. Na noite de sexta-feira, 22 de julho, Edmar Ribeiro Costa, conhecido como “Baixinho”, um “rabeteiro” local, esteve à beira da morte em um grave acidente. Uma lancha de grande porte inadvertidamente não avistou sua pequena embarcação e passou diretamente sobre a rabeta.

Na manhã de sábado (8), os “rabeteiros” iniciaram um protesto após serem proibidos de continuar exercendo seu trabalho devido à falta de renovação da carteira de habilitação e documentação da embarcação. A fiscalização, mesmo que correta, compromete o lazer da população, uma vez que os “rabeteiros” não conseguem se regularizar devido à ausência dos órgãos competentes.

Em Marabá, não há presença de Capitanias de Portos (CP), que são estabelecimentos da Marinha do Brasil (MB) com o objetivo de aplicar a legislação e normas vigentes relacionadas ao material e pessoal da Marinha Mercante. Além disso, as CPs têm a responsabilidade de exercer a Polícia Naval e coordenar o Serviço de Socorro Marítimo nas áreas sob sua jurisdição. A Secretaria de Turismo, que existe no papel e tem um titular, também não exerce seu trabalho de maneira a garantir a legalização dos profissionais que atuam nesse segmento no município.

Nessa esteira, convém salientar que a fiscalização está focando no problema de menor magnitude quando se trata de acidentes aquáticos, pois os donos de lanchas e jetskis frequentemente conduzem seus veículos embriagados e em alta velocidade pelas águas do Rio Tocantins. Em vídeos registrados pela população, é possível ver a intervenção da Marinha na travessia para a Praia do Tucunaré, durante este fim de semana.

Assista:

Diante do exposto, a falta de uma entidade reguladora compromete o controle necessário para garantir que os barcos e seus condutores cumpram todas as normas e estejam devidamente preparados para transportar passageiros com segurança. A ausência de supervisão adequada contribui para a ocorrência de acidentes e coloca em perigo a vida dos banhistas.

Na manhã desta segunda-feira (10), deverá ocorrer uma reunião entre os rabeteiros, representantes da Capitania dos Portos e o vereador Pedrinho Corrêa (União Brasil), para tratar sobre o assunto e buscar encaminhamentos de soluções. (Mateus Nino/Portal Debate)

Matéria atualizada às 10h30, de 10/7/23

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