Vereadora denuncia descaso da Vale na construção da ponte do Rio Tocantins

A fala contundente da vereadora Vanda Américo sobre a falta de oportunidades para a mão de obra qualificada foi o destaque do encontro da Comissão de Desenvolvimento Socioeconômico nesta semana
Foto: Ascom CMM

MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ — A Comissão de Desenvolvimento da Câmara Municipal de Marabá realizou uma reunião com membros do Consórcio Ponte Rio Tocantins (CPRT) e representantes da Vale, responsáveis pela construção da segunda ponte rodoferroviária sobre o Rio Tocantins. O encontro ocorreu na terça-feira (28) e contou com a presença de diversos vereadores, entre eles a vereadora licenciada Vanda Américo, presidente da Fundação Casa da Cultura de Marabá. Durante a reunião, Vanda Américo destacou a necessidade de oportunidades de emprego para a mão de obra local e enfatizou a importância de aproveitar também profissionais qualificados, não apenas trabalhadores braçais.

O presidente da Comissão de Desenvolvimento, Miguel Gomes Filho, ressaltou a importância de verificar o andamento da obra e a utilização da mão de obra marabaense. Eduardo Meira, líder do consórcio, apresentou informações atualizadas sobre os serviços, destacando os investimentos locais e o compromisso de utilizar fornecedores e trabalhadores da cidade. Segundo Meira, 130 empresas foram homologadas para fornecer produtos e serviços, com 42 oportunidades para empresas locais. Ele revelou que até o final de maio já haviam sido demandados serviços de 35 dessas empresas e que atualmente há 457 contratados, sendo 377 de Marabá.

No entanto, Vanda Américo expressou sua insatisfação com a falta de oportunidades para profissionais qualificados da região, ressaltando a necessidade de discutir e enfrentar essa questão. Ela destacou a falta de valorização dos profissionais locais em comparação com os de fora e afirmou que é preciso acabar com esse preconceito. A vereadora licenciada também questionou a preferência dada aos trabalhadores braçais em detrimento dos profissionais formados na cidade. Sua fala recebeu apoio do vereador Miguelito, que citou o caso dos alunos de cursos de engenharia que não são contratados pela Vale mesmo após se qualificarem.

Além da grave falta de oportunidades para os trabalhadores qualificados, outro problema que precisa ser urgentemente enfrentado é o acesso à nova ponte. O vereador Márcio do São Félix também fez questão de destacar a necessidade de um estudo de tráfego para viabilizar a construção de vias alternativas nos núcleos São Félix e Nova Marabá, a fim de desafogar o trânsito concentrado na BR-222.

Márcio do São Félix cobra soluções para o trânsito com a construção da nova ponte

A preocupação levantada pelo vereador Márcio do São Félix é mais do que justificada. A construção da nova ponte rodoferroviária certamente trará um aumento significativo no fluxo de veículos na região.

O representante do consórcio respondeu aos questionamentos dos vereadores, afirmando que a concorrência é padrão de mercado, mas que cerca de 80% da mão de obra direta é local. Ele mencionou a existência de concorrências mais localizadas e outras abertas para todo o Brasil. O secretário de Obras, Fábio Moreira, também expressou preocupação com o acesso à nova ponte e ressaltou a importância de definir a responsabilidade pelo sistema viário, considerando o impacto no trânsito.

A reunião abordou ainda outros pontos relacionados à obra, como os investimentos totais e a arrecadação municipal esperada em quatro anos de obras. A fala contundente da vereadora Vanda Américo sobre a falta de oportunidades para a mão de obra qualificada foi o destaque do encontro, reforçando a necessidade de se discutir e enfrentar essa questão para promover uma maior valorização dos profissionais locais na construção da ponte. (Portal Debate, com Ascom CMM)

Participantes da reunião em pose para foto final

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