Americanas admite fraude pela primeira vez; irregularidades somam R$ 45,9 bi

Varejista em recuperação judicial revelou os resultados de uma investigação independente
Créditos: Reprodução

A Americanas (AMER3) admitiu pela primeira vez que o rombo contábil revelado em janeiro e que a levou à recuperação judicial  foi fruto de fraudes. A varejista detalhou uma série de operações irregulares que, somadas, chegam a R$ 45,9 bilhões, montante muito superior aos cerca de R$ 20 bilhões estimados inicialmente.

As conclusões estão num documento divulgado pela companhia nesta terça-feira (13), com base no relatório de assessores jurídicos da Americanas, feito com base nas conclusões de um comitê independente criado para investigar o caso e documentos complementares obtidos pela atual gestão.

“Os documentos analisados indicam que as demonstrações financeiras da companhia vinham sendo fraudadas pela diretoria anterior da Americanas”, afirmou a empresa, atribuindo os fatos à administração do ex-presidente-executivo Miguel Gutierrez, que deixou a companhia no fim de 2022, e outros seis executivos, estes afastados nos meses seguintes.

A companhia afirmou que as investigações detectaram diversos contratos de verba de propaganda cooperada, incentivos comerciais que podem ser utilizados no setor de varejo, artificialmente criados para melhorar os resultados operacionais como redutores de custo, sem a efetiva contratação com fornecedores.

Isso, feito “durante um significativo período” chegou em setembro passado ao montante de R$ 21,7 bilhões. Para fazer uma contrapartida para esse buraco financeiro, a gestão reduziu a conta de fornecedores em R$ 17,7 bilhões e lançou de forma irregular R$ 4 bilhões em outras linhas do balanço .

Em outra frente, a gestão contratou uma série de financiamentos com bancos sem as aprovações societárias na conta fornecedores, sendo R$ 18,4 bilhões em operações de financiamento de compras, conhecidos como risco sacado, e mais R$ 2,2 bilhões para capital de giro.

Por fim, ainda foi encontrado um buraco de R$ 3,6 bilhões em redutores da conta de fornecedores, em números ainda preliminares. “O efeito desses ajustes nos resultados da companhia ao longo do tempo ainda está sendo apurado, mas a expectativa da administração é de que o impacto nos resultados mais recentes seja significativo”, diz o fato relevante.

A informação chega horas antes de o atual diretor-presidente da Americanas, Leonardo Coelho Pereira, e outros executivos da empresa serem ouvidos em audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada na Câmara dos Deputados para apurar possível fraude contábil na Americanas, às 15 horas, horário de Brasília.

Em fevereiro, a equipe de administração judicial do processo de recuperação da Americanas havia afirmado que a dívida total do grupo era de R$ 47,9 bilhões. (Com informações do Inteligência Financeira)

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