BRASÍLIA (DF) — O deputado federal Celso Sabino (União-PA) é o nome mais cotado para assumir, nos próximos dias, o Ministério do Turismo no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje, a pasta é ocupada por Daniela Carneiro, também do União Brasil.
A possível troca é vista como uma maneira de estreitar os laços entre o governo e a bancada do partido na Câmara dos Deputados, que mesmo ocupando três ministérios, não têm entregado os votos esperados pelo Planalto nas votações.
O nome de Sabino seria uma indicação do líder do União Brasil na Câmara, o deputado Elmar Nascimento (BA), que já fez críticas públicas à articulação política do governo.
Além disso, Sabino é aliado próximo do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que também tem adotado tom crítico à relação entre Planalto e Congresso. Nas redes sociais, ele já se referiu a Lira como “amigo irmão”, em 2022, ao parabenizá-lo por seu aniversário.
Formado em Administração e Direito, Celso Sabino, 44 anos, começou trabalhando na empresa de seu pai, a Sabino Oliveira Comércio e Navegação. Também foi auditor fiscal na Secretaria da Fazenda do Pará.
Iniciou a carreira política em 2010, ao se eleger como deputado estadual pelo Pará, pelo PR, cargo que cumpriu por dois mandatos. Em 2018, elegeu-se deputado federal pelo PSDB, partido onde passou a maior parte de sua trajetória pública.
Sabino chegou a ser investigado pela Operação Lava Jato. O parlamentar foi citado na lista de receptores de verbas da Odebrecht na campanha de 2014. No entanto, a investigação não avançou.
Pelo PSDB, acumulou polêmicas e atritos. Foi o relator do pedido de expulsão do deputado federal Aécio Neves (MG) da legenda, que era defendido pelo então governador de São Paulo, João Dória. Porém, no parecer, considerou os argumentos do pedido “ineptos”. Aécio era réu na Lava Jato, relativo à gravação em que pedia R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS.
Já no governo Jair Bolsonaro, Celso Sabino passou a ter proximidade com o então presidente da República. Em 2020, recebeu Bolsonaro no Pará, na inauguração das obras do Porto Futuro, e publicou uma foto em que aperta a mão do então mandatário.
Após a publicação, caciques do PSDB pediram a expulsão de Sabino da legenda por “violação ao estatuto e à ética partidária”. Em 2021, foi alvo de novo processo de expulsão após anunciar que iria assumir o cargo de líder da Maioria na Câmara, sem a autorização do partido. No mesmo ano, anunciou a desfiliação da sigla.
Já neste ano, no governo Lula, Sabino votou a favor do novo arcabouço fiscal. No entanto, também foi favorável ao projeto do marco temporal das terras indígenas, uma das principais derrotas do Planalto na Câmara em 2023. (Portal Debate, com O Tempo)


