MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ — Duas adolescentes gêmeas de 14 anos foram vítimas de exploração sexual por parte da própria mãe, que vendia a virgindade das filhas em troca de dinheiro. Uma das jovens engravidou após ser “vendida” pela mãe para ter relações sexuais com um homem. A denúncia só veio à tona quando a jovem contou, em sala de aula, que estava grávida e que era vítima de um estupro.
O caso aconteceu no Bairro Independência, em Marabá, no Pará. Após ouvir as adolescentes e a mãe, o Conselho Tutelar acionou os órgãos competentes para que fossem tomadas as devidas providências. A mãe foi chamada ao Ministério Público do Estado do Pará para prestar esclarecimentos sobre a grave denúncia.
A mulher alegou que a filha estava grávida de um adolescente que tinha ido embora para a cidade de Itaituba. No entanto, o relato das adolescentes apontou que um ‘amigo da mãe’ dava dinheiro para a genitora em troca de relações sexuais com as meninas. Segundo a denúncia, em uma das vezes, a mãe amarrou os pés, mãos e boca da menina para que o homem abusasse dela. Na terceira tentativa, o homem ficou apenas passando a mão em suas partes íntimas.
A Polícia Civil foi acionada e realizou diversas oitivas das adolescentes, da mãe e de vizinhos. Após a investigação, o Ministério Público enviou um pedido de medida de proteção em favor das gêmeas de 14 anos e da irmã mais nova, de apenas 4 anos, que também residia com a genitora.
A Promotoria de Justiça da Infância e Juventude informou que, em tese, a mãe ‘vendia’ as filhas e se beneficiava financeiramente das relações sexuais não consentidas entre o homem e as menores. Uma das jovens abusadas foi orientada a negar os fatos para não prejudicar a mãe, mas a denúncia foi registrada.
O juiz da 4ª Vara Cível da Comarca de Marabá decidiu pelo acolhimento institucional das duas gêmeas e da irmã de 4 anos, e determinou a realização de estudo psicossocial pela Equipe Interdisciplinar da Vara da Infância, com os genitores e familiares extensos, devendo ser encaminhado relatório ao final a ele, magistrado.
Uma equipe técnica do MPPA foi até a residência da família e as adolescentes foram acolhidas em um abrigo. A jovem grávida afirmou que não deseja realizar aborto e que já escolheu o nome da criança, que é uma menina. A Promotoria de Justiça da Infância e Juventude continuará acompanhando o caso e prestando assistência às adolescentes e à criança que está por vir. (Portal Debate)


