Autônomo é proibido de vender lanches em escola e se surpreende com reação de alunos no Pará

A proibição ocorreu após a cantina da escola ter sido “prejudicada” pelos lanches de Ademilson, que vende um salgado e um suco por R$ 4, enquanto o lanche mais barato na cantina custa R$ 6

O trabalhador autônomo Ademilson Santos, vendedor de salgados da cidade de Bragança, nordeste do Pará, passou a receber encomendas após ter sido proibido de comercializar o produto em frente à Escola Estadual Luiz Paulino Mártires (Lupama), no bairro do Taíra. A proibição ocorreu após a cantina da escola ter sido “prejudicada” pelos lanches de Ademilson, que vende um salgado e um suco por R$ 4, enquanto o lanche mais barato na cantina custa R$ 6.

Ademilson conta que chegou a conversar com a escola e informar que depende exclusivamente da venda dos salgados. No entanto, em março, foram colocados cones próximo ao portão de entrada e saída dos alunos para impedir que se aproximassem da bicicleta com os lanches de Ademilson.

No entanto, estudantes da Lupama se reuniram para comprar os salgados e sucos do “tio Ademilson”, em uma ação contrária à proibição da gestora da instituição de ensino. As imagens dos estudantes comprando os lanches viralizaram.

O autônomo conta que, nesse momento, viu o cuidado dos estudantes com ele. “Normalmente, eles compram o lanche e vão embora, mas dessa vez, não, eles falavam ‘o tio ainda tem lanche vamos fazer uma vaquinha para comprar'”. Ele ainda relata que “não tem palavras para descrever o momento bom que vivi. Fiquei surpreendido. Vi eles do meu lado e falaram ‘tio, a gente tá contigo, a gente sabe a pessoa que o senhor é, a família que o senhor tem’ e aquilo me tocou muito”.

Após conversa com a escola, Ademilson voltou a vender em frente ao estabelecimento de ensino. Ele conta que, depois da situação, passou a receber apoio das pessoas, mesmo que seja através de uma publicação do trabalho dele na rede social. No entanto, há pessoas que se aproveitam para “brincar”.

“Depois dessa situação que foi bastante comentada, há pessoas que falam de maneira dura comigo. Quando passo na rua tem gente que grita ‘Pedala, filha da diretora’, ao mesmo tempo que tem gente que me encoraja a continuar na venda. Eu sou muito brincalhão e tem gente que brinca, mas a gente percebe quando as pessoas falam para tentar ferir a gente”.

A reportagem solicitou esclarecimentos sobre o ocorrido à instituição de ensino, mas até o fechamento desta reportagem, não recebeu retorno. A Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc) informou que “a unidade já oferece refeição escolar gratuita aos estudantes, e que a compra de lanches é apenas uma opção para a comunidade escolar” e que “após uma reunião com o conselho escolar, o vendedor foi autorizado a comercializar os produtos na área externa da escola”. Sobre a motivação da proibição, a Seduc não se pronunciou. (Portal Debate)

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