Eleitor vota mal e população fica sem deputado federal em Marabá

Os candidatos de Marabá só receberam 33.359, ou seja, apenas 25% dos 185 mil votos, para deputado federal, foram destinados aos candidatos de Marabá, o resto virou “bufa de alma”. 
Foto: Portal Debate

MARABÁ (PA) – O conhecido ditado popular, “Não há nada tão ruim que não possa piorar”, caiu como uma luva no dia 2 de outubro de 2022, data da votação para se eleger um deputado federal, em Marabá, no sudeste do Pará, pois a cidade polo da Região do Carajás, mais uma vez, preferiu depositar a maioria dos votos nos candidatos “paraquedistas” que andam por aqui de 4 em 4 anos.

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em julho de 2022 (última atualização), Marabá saltou de 164 mil e 349 para 185 mil e 129 eleitores. No entanto, o votante local só depositou 15. 921 votos (11,93%) em Manoel Veloso (PDT); 13. 878 votos (10,40%) em Márcio do São Félix (PSDB) e 3.560 votos (2,67%) na ex-vereadora Irismar Melo (PP), ou seja, uma bagatela de votos.

Embora o candidato Wagne Machado (MDB) tenha obtido 8.364 votos (6,27%) e more em Marabá, o ex-prefeito da cidade de Piçarra ainda não é visto como cidadão marabaense pelo eleitorado local. Os candidatos de Marabá só receberam 33.359, ou seja, apenas 25% dos 185 mil votos, para deputado federal, foram destinados aos candidatos de Marabá, o resto virou “bufa de alma”.

Como resultado desta triste situação, a cidade deixou de receber emendas parlamentares de grande porte e convênios desde a saída do ex-deputado Beto Salame, em 2018. Para se ter uma ideia da importância de um deputado federal, nos últimos meses, a Prefeitura de Marabá (PMM) inaugurou o Mirante “Encontro dos Rios”, no Bairro Cabelo Seco (Núcleo Marabá Pioneira), e a “Orla do Rio Itacaiúnas”, no Bairro do Amapá (Núcleo Cidade Nova) devido a articulações políticas de Beto Salame, na época, junto ao governo Dilma Rousseff (PT), em Brasília (DF), ajudado pelo então ministro Helder Barbalho (MDB).

Os 10 deputados federais mais votados em Marabá (PA)

  • Dr Manoel Veloso (PDT): 15921 votos (11,93%)
  • Márcio do São Félix (PSDB): 13878 votos (10,40%)
  • Wagne Machado (MDB): 8364 votos (6,27%)
  • Andreia Siqueira (MDB): 8139 votos (6,10%)
  • Delegado Eder Mauro (PL): 6980 votos (5,23%)
  • Joaquim Passarinho (PL): 5469 votos (4,10%)
  • Airton Faleiro (PT): 5214 votos (3,91%)
  • Delegado Caveira (PL): 4283 votos (3,21%)
  • Irismar (PP): 3560 votos (2,67%)
  • Giovanni Queiroz (PDT): 3501 votos (2,62%)
  • Brancos – 3,90%
  • Nulos – 2,35%
Foto: Reprodução

No entanto, a culpa por esse problema que vai prejudicar o desenvolvimento de Marabá, no mínimo, durante 8 anos, não poderá ser depositado somente na conta do eleitor. Devido a entraves como a venda de apoio a candidatos “paraquedistas” pelas grandes lideranças políticas locais, conchavos partidários, falta de estrutura de campanha, ausência de um diálogo adequado com o eleitor, entre tantos outros problemas, o eleitor fez “vista grossa” para os candidatos a deputado federal de Marabá.

O mesmo problema já não ocorre em relação à eleição de deputado estadual em Marabá. No ano de 2018, foram eleitos “Chamozinho” (MDB); Toni Cunha (PTB) e Dirceu Ten Caten (PT). Já no dia 2 de outubro de 2022, o eleitor elegeu Chamonzinho (MDB), com 109.287 votos; Dirceu Ten Caten (PT), com 66.397 votos; Delegado Toni Cunha (PSC), 33.388 votos; e Aveilton Sousa (PL), com 23.230 votos.

Por outro lado, colégios eleitorais bem menores elegeram seu deputado federal. Como exemplo, no sudeste do Pará, aparecem a cidade de Tucuruí que elegeu Andreia Siqueira (MDB) com 125.004 votos e Parauapebas elegeu Keniston Braga (MDB) com 126.027 votos válidos. Nas eleições de 2026, cabe à classe política e aos eleitores de Marabá a missão de mudarem essa vergonhosa situação. (Pedro Souza/Portal Debate)

Eleições 2022 no Pará: Veja como foi a votação em imagens | Eleições 2022  no Pará | G1
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