“Desigualdade gera
violência: basta de privilégios” é o lema do 24° Grito dos Excluídos que será
realizado nesta sexta-feira (7), em Belém, com concentração a partir das 8h na
Praça Santuário, no bairro de Nazaré, rumo à Avenida Presidente Vargas.
A manifestação, que
será feita em várias cidades do Brasil, mobilizou na sede da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), representantes de entidades e movimentos
sociais, além de lideranças das igrejas Católica, Luterana e Anglicana, para
divulgar o ato político, a exemplo de representantes de Comunidades Eclesiais
de Base e Pastorais Sociais da CNBB, Conselho Indigenista Missionário (Cimi),
Frente de Prejudicados da Bacia do Una, Movimento dos Atingidos por Barragens,
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra e Comitê Popular Urbano, entre
outros.
 
Uma das lideranças desta edição do Grito, o padre Paulo Joanil da
Silva, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), pontuou na entrevista coletiva que
o tema se apresenta como um protesto ao modelo econômico vigente, que não
democratiza o acesso a bens e oportunidades a todas as populações. “É uma série
de situações. Nós pensamos em sete eixos, por exemplo, que mostram uma ferida
social, podemos dizer assim, que é o desrespeito aos direitos de todos e de
todas. O Grito é em defesa da dignidade humana, da democracia plena para o
exercício dos direitos políticos, do acesso à terra, à liberdade’’, disse o
religioso. 
 
A coordenadora dos programas comunitários do território quilombola
Abacatal, no município de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, Vivia
da Conceição Cardoso, disse que a comunidade se motiva a participar da
manifestação para denunciar a pressão demográfica do segmento imobiliário e de
projetos econômicos privados e públicos. “A gente vive na única área verde que
resta em Ananindeua e uma bandeira que eu levanto sempre é que nós colocamos
comida saudável na mesa do povo e queremos continuar vivendo.
Por isso esse grito
pra dizer que nós existimos e mostrar como nós vivemos. O território tem 127
famílias num total de cerca de 500 pessoas que vivem basicamente da agricultura
familiar com criação de galinha, porco e produção de culturas frutíferas como
açaí, pupunha, cupuaçu e coleta extrativa de frutas como uxi, piquiá e
castanha-do-pará”, disse ela.
  
De acordo com o padre Paulo, o ato político se volta à valorização
da vida e da esperança entre os menos favorecidos econômica e socialmente.
“Nossa ideia é anunciar a esperança de um mundo melhor, construindo ações a fim
de fortalecer e mobilizar a classe trabalhadora nas lutas populares. Denunciar
a estrutura opressiva e excludente da sociedade e do capital excludente que
nega a vida e quer nos impedir de sonhar”, acrescentou. 
Os sete eixos nos quais a coordenação da manifestação desdobrou o
tema central, “Desigualdade gera violência”, são “Democratizar a comunicação”,
“Garantir direitos básicos já assegurados na Constituição Federal”, “Estado
fomentador de violência, que projeto de país desejamos? Que Estado queremos?”,
“Participação política é emancipação popular”, “Unir generosas/os nas ruas” e
“Uma ecologia integral”. 
Fonte: Portal ORM