Antônio de Pádua de Deus Andrade, ex-secretário de Viação e Obras Públicas de Marabá, ex-ministro da Integração Nacional e ex-secretário de Transportes do Pará, está sendo novamente investigado pela Polícia Federal. Ele foi um dos alvos de uma operação deflagrada na terça-feira (29) para apurar o desvio milionário de recursos públicos em contratos celebrados entre uma empresa do ramo de Tecnologia da Informação (TI) e o governo federal, entre os anos de 2017 e 2018. O caso foi divulgado pelo portal Roma News.
Segundo a PF, houve buscas na casa de Pádua Andrade, mas ele não foi encontrado. Antes de ser secretário no governo de Helder Barbalho (MDB), Andrade foi ministro da Integração Nacional em 2018, no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), e também secretário de Viação e Obras Públicas de Marabá, entre 2013 e 2016, no governo do ex-prefeito João Salame Neto.
Durante a operação, foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Rio de Janeiro, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. Além dessas medidas, a Justiça Federal também determinou o bloqueio do valor aproximado de R$ 22 milhões nas contas dos investigados, bem como o afastamento de servidores públicos de suas funções e a proibição de a empresa investigada firmar novos contratos.
Além de Pádua Andrade, a PF investiga Francisco Paulo Soares Lopes, que foi presidente do INSS em 2018, e Soares Lopes, que foi exonerado do cargo de assessor na Secretaria de Economia, onde chegou a ocupar, no ano passado, o cargo de subsecretário de Tecnologia da Informação da pasta.
A empresa investigada é a RSX Informática, que tinha sede em uma distribuidora de bebidas. Ela está suspensa, por tempo indeterminado, de celebrar contrato de serviços de tecnologia com a administração pública.
Investigado novamente
Antônio de Pádua Andrade chegou a ter prisão temporária decretada durante a operação S.O.S, realizada pela PF em outubro de 2020, para investigar supostas fraudes e irregularidades na gestão de hospitais de campanha no Pará. Ele foi exonerado pelo governador no dia 9 de outubro de 2020.
O que levou o ex-secretário de transportes do Pará a ser preso temporariamente na Operação S.O.S foi uma série de transferências bancárias feitas em seu benefício pelo suposto operador Nicolas Andre Tsontakis Morais, entre julho e dezembro de 2019, tonalizando R$ 331 mil.
As investigações que levaram à S.O.S se debruçaram inicialmente sobre supostas fraudes na contratação de organizações sociais por mais de R$ 1,2 bilhão para gestão de unidades de saúde no Pará, incluindo os hospitais de campanha para tratamento de pacientes de covid-19. No entanto, apesar do foco no desvio de recursos da Saúde, os investigadores dizem que foi possível verificar que as ilicitudes na administração pública tinham um ‘caráter sistêmico’ e alcançaram ao menos quatro secretarias de Estado, entre elas a de Transporte.


